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Microcimento vs tadelakt: a mudança silenciosa nos acabamentos em 2025

Pessoa a trabalhar numa argila estendida no chão, esculpindo com ferramentas numa sala iluminada.

“Microcimento outra vez?” suspirou ele, olhando para o casal no meio da sala - ainda a meio da demolição. Eles hesitaram. No ano anterior, teriam respondido que sim sem pestanejar. Desta vez, trocaram um olhar e puxaram dos telemóveis. Em ambos os ecrãs: a mesma coisa. Projectos novos. Acabamentos novos. Uma palavra nova a circular em todo o lado. Tadelakt.

Já era a terceira vez que ouvia o termo nessa semana. De clientes a pedir uma casa de banho “como um spa boutique em Marraquexe”. De uma arquitecta que, discretamente, tinha riscado o microcimento do painel de materiais. De uma loja de cerâmica que acabara de alargar a sua secção de “rebocos à base de cal”.

Havia qualquer coisa a mudar. O microcimento começava a soar… a anos 2020. E um concorrente mais suave, mais táctil, estava a ocupar o lugar sem fazer barulho.

Porque é que o microcimento está a perder força - e o que o está a substituir

Basta entrar num showroom mais atento ao design para dar por isso antes mesmo de o conseguir explicar. Menos cubos de microcimento perfeitamente lisos e um pouco frios. Mais paredes macias, aveludadas, com um brilho discreto - como pedra polida pelo toque ao longo de anos.

As equipas de venda usam agora outro vocabulário: reboco de cal, tadelakt, acabamento de argila, revestimento mineral. Os espaços deixaram de parecer um “loft do Instagram” e passaram a lembrar mais um boutique hotel num edifício com 300 anos. A tendência está a deslocar-se de superfícies duras e monolíticas para acabamentos que assumem vida e pequenas imperfeições.

O recado dos clientes é directo: estão fartos de superfícies que parecem ecrãs de telemóvel.

E quando se pergunta a quem está a renovar porque é que quer abandonar o microcimento, as histórias repetem-se. Fissuras finas junto ao nicho do duche. Kits intermináveis para retocar lascas nas ilhas de cozinha. Pavimentos que nas fotos pareciam impecáveis, mas que no dia-a-dia se tornavam estranhamente clínicos.

Um casal de Londres contou-me que se apaixonou pelo microcimento no Pinterest e depois passou dois Invernos a caminhar em bicos de pés num pavimento gelado, com eco, em open space. Quando voltaram a remodelar, taparam tudo com um reboco de cal em tom quente e um selante mate, mais suave.

Disseram que os convidados deixaram de comentar o “acabamento moderno” e começaram a dizer: “Aqui dentro sente-se tanta calma.” Não foi só a estética que mudou; mudou a forma como as pessoas se comportavam naquele espaço.

E a viragem não é apenas visual. Tem também a ver com a forma como vivemos as casas hoje. O microcimento vendia a promessa de uma superfície “à prova de tudo”, mas a vida real é desarrumada: crianças a deixar cair brinquedos de metal, cães a derrapar, caril a salpicar paredes.

Os acabamentos à base de cal e de argila partem do princípio de que viver deixa marcas. Dá para reparar, voltar a encerar, re-trabalhar com subtileza. Em vez de se perseguir uma pele eterna e sem falhas, há cada vez mais gente a preferir superfícies que envelhecem como couro.

Também se ouve, em surdina, a palavra sustentabilidade. Mesmo com sistemas de microcimento a tornarem-se mais “verdes”, os rebocos de cal e de argila trazem uma narrativa romântica e de baixa tecnologia que encaixa no mood de 2025: ligantes naturais, paredes respiráveis, menos brilho plástico e mais profundidade mineral.

Conheça o material que, discretamente, está a substituir o microcimento

A estrela desta mudança silenciosa é um clássico com roupagem moderna: o reboco de cal em estilo tadelakt. De origem marroquina e tradicionalmente usado em hammams, é aplicado à mão, polido com pedras e depois selado com sabão ou cera. Em 2025, os fabricantes transformaram isso em sistemas mais fáceis de usar - mas a essência mantém-se.

O resultado é suave, quase etéreo, muitas vezes em tons quentes e tranquilos. É possível arredondar arestas, fazer nichos curvos e até esculpir lavatórios numa única peça contínua. Funciona em paredes, zonas de duche, frentes de móvel de lavatório e, por vezes, até em banheiras.

No Instagram, lê-se como “minimalismo tipo spa”; ao vivo, tem uma presença muito mais humana. Ondulações leves. Movimento subtil na cor. Uma superfície que dá vontade de tocar com a palma da mão, e não apenas de olhar.

E, na prática, os designers estão a colocar tadelakt e outros rebocos minerais exactamente nos mesmos sítios onde antes reinava o microcimento: duches walk-in, casas de banho estilo hotel, backsplash de cozinha em open space. Só que a sensação é outra.

Num apartamento em Paris que visitei, o proprietário trocou uma casa de banho cinzenta em microcimento por um reboco de cal cor de areia. A planta era a mesma. O vidro do duche também. As torneiras pretas, iguais. Ainda assim, a energia do espaço ficou irreconhecível: menos “loja conceito”, mais “manhã de domingo”.

E nem é preciso exagerar. Uma única parede em tadelakt atrás da cama, ou uma prateleira curva rebocada num corredor, chega para que o resto da casa pareça pensado com intenção - e não desenhado em excesso.

No fundo, o que empurra esta mudança é a forma como estes acabamentos antigos-novos ligam estilo e bem-estar. Depois de anos de cinzentos frios e superfícies brilhantes, as pessoas querem calor, uma acústica que acalme o dia e divisões que não devolvam luz como um ecrã.

Os rebocos de cal difundem a luz de forma natural; uma sala virada a sul deixa de parecer um showroom e passa a ter ar de casa vivida. E combinam com a paleta terrosa que está por todo o lado: cogumelo, aveia, terracota, pedra.

O microcimento não ficou “mau” de um dia para o outro. Só deixou de ser a resposta automática. Estamos a entrar numa fase em que textura, tactilidade e luxo discreto vencem a uniformidade brilhante. E o tadelakt - ou os seus “primos” minerais modernos - encaixa nesse pedido com uma perfeição quase suspeita.

Como trocar o microcimento por acabamentos estilo tadelakt em casa

Se está a planear obras em 2025 e tinha o microcimento guardado como opção, o primeiro passo é muito prático: volte a pensar na sua “superfície protagonista”. Em vez de perguntar “onde é que consigo aplicar microcimento em todo o lado?”, experimente “onde é que eu quero, de facto, uma textura calma e agradável ao toque?”.

Escolha um ou dois pontos fortes. A zona do duche. O resguardo (splashback) da cozinha. Uma parede de destaque que envolva um banco junto à janela. O tadelakt dá-se particularmente bem com curvas e cantos, por isso faz sentido arredondar remates de janelas ou suavizar uma divisória muito marcada.

O segundo passo é encontrar alguém que domine mesmo o material. Peça fotografias de obras com pelo menos um ano de uso - e não apenas instalações acabadas de fazer. O que interessa é ver se aguenta banhos diários, marcas de sabonete e o ocasional choque de um frasco de champô.

Há uma curva de aprendizagem nestes acabamentos, e é aí que as expectativas costumam colidir. As pessoas vêem imagens perfeitas e imaginam uma superfície mágica, sem manutenção. A realidade: precisa de cuidados, como umas boas botas de couro.

E não significa rituais diários. Sejamos honestos: ninguém faz isso todos os dias. Significa, isso sim, limpeza suave, voltar a encerar ou a selar de tempos a tempos e aceitar pequenas marcas como parte do encanto.

Se essa ideia a(o) deixa nervosa(o), comece numa zona de baixo risco: atrás da cabeceira, num canto de leitura, à volta de um nicho. Depois de viver com a patina e perceber que gosta, terá mais confiança para o aplicar em casas de banho e cozinhas.

Um estucador com quem falei resumiu assim:

“O microcimento tentou ser perfeito. O tadelakt é mais honesto. Se quer uma casa de banho que nunca mude, escolha azulejo. Se quer uma divisão que cresça consigo, escolha reboco.”

Essa mudança de mentalidade é decisiva. Não está a comprar uma pele impecável para sempre. Está a trazer um material vivo para dentro de casa.

  • Comece pequeno: teste numa casa de banho de serviço ou numa só parede antes de avançar para a casa inteira.
  • Planeie a iluminação: wall washers e luz lateral suave fazem os acabamentos minerais parecerem mais caros.
  • Evite produtos agressivos: sabão neutro e panos macios são os seus aliados.
  • Fale do orçamento cedo: uma aplicação bem executada custa mais, à partida, do que tinta básica ou azulejo.

Quando aceita essa troca, o material deixa de assustar e passa a trazer uma sensação curiosamente libertadora.

O que esta mudança revela sobre a forma como vamos viver em casa depois de 2025

O adeus lento ao microcimento e a ascensão dos acabamentos estilo tadelakt não é apenas uma micro-tendência de decoração. É um sinal do que estamos a pedir às nossas casas depois de uma década de vidro, ecrãs e luminosidade constante.

Estamos a sair da estética “casa de exposição” e a entrar em espaços que nos perdoam. Superfícies que não nos obrigam a viver como stylists. Numa terça-feira à noite, com roupa em cima da cadeira e brinquedos debaixo do sofá, isso importa mais do que qualquer moodboard.

E há um lado mais profundo: é reconfortante uma parede que muda ligeiramente conforme a luz atravessa o espaço. Lembra-nos que o tempo anda, que uma casa não fica congelada no instante em que foi fotografada para um anúncio.

Entre numa divisão envolvida por reboco mineral suave e as pessoas, instintivamente, baixam a voz. Reuniões parecem menos cortantes. Discussões desarmam mais depressa. Pode soar poético, mas quem já esteve numa “câmara de eco” de azulejo sabe como o som mexe com o humor.

Quase toda a gente já viveu aquele momento em que um quarto de hotel é inexplicavelmente calmante, sem conseguirmos apontar um único móvel como razão. Muitas vezes, são as superfícies a fazer o trabalho silencioso em segundo plano.

Talvez essa seja a história principal: não a queda do microcimento, nem o regresso da cal, mas a descoberta de que o que temos nas paredes e no chão pode lutar contra nós ou apoiar-nos. O microcimento teve o seu momento e deu-nos espaços limpos, cinematográficos. Agora, o pêndulo está a voltar para acabamentos que perdoam, suavizam e envelhecem connosco.

Daqui a alguns anos, é possível que olhemos para as caixas infinitas de microcimento cinzento como hoje olhamos para as casas de banho verde-abacate dos anos 70: uma era, um mood, uma fase. O que vier a seguir não será apenas “mais bonito”. Será mais humano.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O microcimento está a perder o trono Proprietários referem fissuras, frieza e um aspecto clínico que em 2025 já soa datado Ajuda a evitar investir num acabamento que já está a sair de cena
O reboco de cal estilo tadelakt está a crescer Superfícies suaves, tácteis e minerais aplicadas em duches, cozinhas e paredes de destaque Dá uma alternativa clara alinhada com as tendências actuais de design e bem-estar
Mudança de mentalidade: do impecável ao “vivo” Os novos acabamentos valorizam patina, cuidados suaves e textura visível Permite criar uma casa mais calma, quente e fácil de viver

Perguntas frequentes:

  • O microcimento está mesmo “ultrapassado” ou ainda vale a pena? Não morreu; simplesmente deixou de ser a opção por defeito. Continua a funcionar em alguns contextos, sobretudo em espaços muito minimalistas e industriais, mas já não acompanha a direcção mais quente e suave que muitas casas estão a seguir.
  • O tadelakt pode ser usado com segurança num duche ou numa zona húmida? Sim, desde que seja aplicado correctamente por um instalador com formação e que tenha manutenção regular com ceras ou selantes adequados. O sistema por trás (base impermeabilizada, membranas) é tão importante como o reboco final.
  • O reboco de cal é mais caro do que o microcimento? Muitas vezes, o custo do material é semelhante, mas o tadelakt verdadeiro e os rebocos minerais de gama alta podem exigir mais mão-de-obra, pelo que se paga o artesanato. Começar por uma área pequena é uma boa forma de controlar o orçamento.
  • Estes novos acabamentos também podem fissurar, como às vezes acontece com o microcimento? Qualquer superfície rígida pode fissurar se a base se mexer, mas os rebocos de cal tendem a ser mais tolerantes. Boa preparação, suportes estáveis e profissionais experientes reduzem o risco de forma significativa.
  • Posso fazer tadelakt ou reboco mineral em DIY em casa? Algumas marcas têm versões mais amigas do DIY, mas o tadelakt clássico, polido e resistente à água numa casa de banho, normalmente é trabalho para profissional. Se quiser experimentar, comece por uma zona decorativa que não apanhe água.

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