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Víboras no jardim: 3 plantas que as atraem e como tornar o espaço mais seguro

Mulher ajoelhada no jardim a observar plantas e flores junto a um caminho de pedra num dia ensolarado.

Com a chegada dos primeiros dias amenos, não é só o mato que volta a aparecer. As cobras também saem da hibernação, procuram calor e, sobretudo, esconderijos seguros. Certas plantas à volta da casa, da varanda e do jardim criam condições ideais - muitas vezes sem que quem ali anda descalço na relva ou trabalha nos canteiros se aperceba.

Quando o solo atinge 12 °C, as víboras começam a mexer-se

As víboras venenosas entram em actividade mais cedo do que muita gente imagina. Assim que o solo estabiliza durante o dia na faixa de cerca de 12 a 15 °C, o período de dormência de Inverno termina. Em muitas regiões, isso pode acontecer por volta de meados de Março e, em zonas particularmente amenas, até antes.

Como são animais de sangue frio, dependem da temperatura do ambiente para regular a temperatura do corpo. Por isso, logo após acordarem, procuram locais quentes e protegidos: com sol, sim, mas não no meio da relva exposta, onde aves de rapina ou ouriços teriam vantagem.

Estão especialmente expostos os jardins com ilhas de vegetação muito densa, muros de pedra, muros de pedra seca ou montes de pedras soalheiros mesmo junto à casa.

Não é uma única espécie botânica que transforma um jardim num paraíso para cobras; é a combinação de calor, cobertura e pequenas fendas onde se possam enfiar. Ainda assim, há três grupos de plantas que se destacam repetidamente.

Os três tipos de plantas que as víboras consideram mais atractivos

1. Erva-das-pampas: vistosa, popular - e um esconderijo perfeito

A erva-das-pampas (Cortaderia selloana) tem sido uma escolha de moda há anos em jardins da frente e canteiros. Os tufos altos e muito compactos, com os vistosos “penachos”, impressionam e são vistos como fáceis de manter. Precisamente essas características a tornam tão interessante para as víboras.

  • Tufos de folhas extremamente densos - quase impenetráveis para aves de rapina
  • O solo sob a planta acumula calor, mas mantém-se sombreado
  • Muitos espaços na zona das raízes para se esconder e caçar

A base de um tufo antigo de erva-das-pampas costuma formar uma espécie de cavidade feita de material vegetal seco e terra - um local ideal para uma cobra aquecer sem ser notada. No Verão, os tufos fechados também servem de camuflagem durante a caça, por exemplo a ratos ou lagartos.

Em alguns países, a erva-das-pampas já é considerada invasora e, por isso, é fortemente controlada. Quem já tem exemplares mais velhos no jardim deve, pelo menos, desbastar regularmente a parte inferior, retirar folhas secas e evitar que a planta fique em contacto directo com zonas de estar ou de brincadeira.

2. Coberturas de solo em tapete: manto verde, chão quente por baixo

As coberturas de solo muito densas também oferecem a combinação desejada de abrigo e calor. Entre elas encontram-se, por exemplo:

  • variedades rasteiras de zimbro
  • variedades baixas de Cotoneaster
  • tipos de hera rasteira ou com porte de cobertura de solo

Estas plantas formam almofadas baixas ou tapetes verdes que funcionam como um tecto sobre o chão. Por cima, tudo parece fechado; por baixo, cria-se uma espécie de camada de ar. O solo aquece ao sol, o calor sobe, mas fica retido sob a cobertura de folhas.

Para uma víbora, isto cria um “túnel” protegido, onde permanece quase invisível enquanto o corpo vai ganhando temperatura. Se estas coberturas forem ainda combinadas com pedras, lancis ou muros de suporte, forma-se um verdadeiro microclima propício a répteis.

3. Plantação densa junto a pedras, muros e terraços

O terceiro grupo não é tanto uma planta específica, mas um cenário típico de jardim: um terraço ou recanto de estar virado a sul, à frente um pequeno muro de pedra ou um monte de pedras - e, por cima, plantas pendentes ou semi-pendentes e arbustos.

É frequente ver-se, por exemplo:

  • vivazes em almofada pendentes em muros de pedra seca
  • plantas de jardim rochoso instaladas em juntas e fendas
  • arbustos com ramos muito baixos, a cair directamente sobre muros

As superfícies de pedra acumulam calor durante o dia e libertam-no lentamente. Quando a vegetação cai sobre elas, forma-se um corredor sombreado ao longo das pedras. Para uma víbora, isto assemelha-se a um túnel naturalmente aquecido. Quem passa descalço junto à borda ou arranca ervas entre pedras pode, assim, entrar facilmente em contacto directo.

Como os proprietários podem tornar o jardim mais seguro a partir de Março

A protecção mais eficaz passa por ajustar o jardim antes de as temperaturas subirem na Primavera. Muitas vezes, bastam pequenas alterações para tornar o espaço menos atractivo para cobras, sem ser necessário remover todas as plantas.

  • Libertar a base das plantas: desbastar a zona junto ao solo sob arbustos, coberturas de solo e erva-das-pampas. Manter uma folga de cerca de 15 a 20 centímetros entre o chão e a massa foliar retira aos répteis a cobertura protegida.
  • Arrumar áreas com pedra: remover folhas, restos de plantas velhas e relva alta de jardins rochosos, fendas de muros e juntas de terraços. Juntas abertas e limpas são menos atractivas como esconderijo.
  • Repensar o mulch: substituir camadas grossas de casca de pinheiro triturada ou aparas de madeira, sobretudo junto a zonas de estar ou caminhos, por brita ou cascalho mineral claro. Estes materiais armazenam menos calor e quase não criam cavidades.
  • Manter distância das zonas de uso: evitar colocar vegetação muito densa e alta mesmo ao lado de portas de terraço, locais de descanso ou passagens muito usadas.

Um jardim pode ser biodiverso e natural sem que os esconderijos mais perigosos fiquem mesmo à porta de casa.

Jardinar de forma natural e, ainda assim, baixar os riscos

Muitos jardineiros amadores procuram deliberadamente uma grande diversidade de espécies. Montes de pedras, madeira morta e áreas de vegetação densa atraem ouriços, insectos, lagartos e aves. No entanto, isso também aumenta a probabilidade de as víboras se sentirem confortáveis no terreno.

Um compromisso prático é dividir o jardim em zonas. As áreas mais selvagens e naturalizadas devem ficar na parte traseira do terreno, a pelo menos 20 metros do terraço, da zona de brincadeiras e da entrada da casa. Assim, répteis, pequenos mamíferos e insectos encontram abrigo sem que crianças ou animais de estimação fiquem directamente em risco.

Quem gosta de trabalhar com calçado aberto deve, antes da época, fazer um corte e uma limpeza a sério. Sob a erva-das-pampas, em massas de hera ou junto a muros de pedra seca expostos ao sol, compensa observar bem antes de meter mãos e pés no verde.

O que fazer se aparecer uma víbora no jardim?

Em muitos países europeus, as víboras estão sob protecção rigorosa. Matar, capturar ou destruir deliberadamente locais de repouso é proibido e pode implicar multas elevadas. Para além do enquadramento legal, a cobra desempenha um papel importante no ecossistema, por exemplo ao controlar roedores.

Se houver um encontro, aplicam-se algumas regras simples:

  • Manter a calma e conservar distância.
  • Recuar um passo devagar, sem fugir de forma brusca.
  • Deixar uma via de escape para o animal, em vez de o encurralar.
  • Nunca tentar afugentar ou apanhar a cobra com paus, pás ou com as mãos.

Se o animal permanecer durante muito tempo perto da porta de casa, da garagem ou de um parque infantil, pode fazer sentido contactar os bombeiros ou um grupo regional de conservação da natureza. Muitas organizações conseguem dar uma primeira avaliação por telefone - se é mesmo uma víbora ou uma cobra não venenosa - e indicar o procedimento a seguir.

Quão perigosa é uma mordida - e como prevenir

A maioria das mordidas de víbora acontece porque as pessoas não vêem o animal e acabam por pisá-lo ou agarrá-lo sem querer. Quem trabalha no jardim na Primavera e no Verão reduz bastante o risco com:

  • sapatos firmes e fechados, idealmente com cano um pouco mais alto
  • luvas de jardinagem resistentes ao mexer em vegetação densa
  • cautela ao deslocar pedras, pilhas de madeira ou tábuas antigas

Uma mordida é, regra geral, muito dolorosa e deve ser sempre avaliada por um médico. Ainda assim, a maioria dos casos em adultos saudáveis não evolui para consequências que ponham a vida em risco, desde que se actue rapidamente. Crianças e animais de estimação correm maior perigo e, perante qualquer suspeita, devem ser vistos de imediato por um médico ou por um veterinário.

Porque é que, apesar de tudo, as víboras também fazem parte do jardim

Por muito desconfortável que a ideia pareça, as víboras fazem parte da fauna local. Caçam ratos, ratazanas e outros pequenos mamíferos que podem transmitir doenças ou causar estragos na horta. Afastá-las por completo não seria realista nem desejável.

Quem identifica as plantas que oferecem os esconderijos mais tentadores consegue planear o terreno para que pessoas e cobras se cruzem o mínimo possível. Um pouco de distância entre a erva-das-pampas e a espreguiçadeira, um jardim rochoso arrumado junto ao terraço e zonas bem separadas no jardim ajudam mais do que qualquer reacção de pânico.

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