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Teste ao Realme 16 Pro+: bateria de 7 000 mAh, 200 MP e menos de 600 €

Pessoa a usar smartphone holográfico junto a computador portátil numa mesa ao ar livre numa rua urbana.

Para ser totalmente transparente, tinha curiosidade em pôr o Realme 16 Pro+ à prova. Não por a Realme ser uma marca incontornável em Portugal - ainda não o é propriamente - mas porque, no papel, os argumentos são difíceis de ignorar.

O Realme 16 Pro+ junta uma bateria XXL, um sensor fotográfico de 200 megapíxeis e um visual assinado por um reputado designer japonês, tudo por menos de 600 €. Flagship killer? A expressão já foi muito usada, mas aceitemos que a ambição existe. Depois de seis semanas de utilização diária, isto é o que penso, sem filtros.

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Um smartphone que impressiona - e sabe-o

A Realme recorreu ao designer japonês Naoto Fukasawa - o mesmo que já tinha trabalhado nos GT 2 Pro e GT Master Edition - para desenhar o equipamento. A traseira vem coberta por um revestimento de silicone de base biológica feito a partir de palha vegetal. É uma estreia no universo dos smartphones e sente-se de imediato. A textura é delicada, ligeiramente elástica, com um toque que lembra couro natural sem o imitar de forma literal. A cor Master Gold da unidade testada dá-lhe um ar cuidado, quase premium, sem cair no exagero.

Este material tem ainda outro ponto a favor: não escorrega. Depois de anos a lidar com telefones que parecem uma barra de sabão mal apanhem humidade, isto sabe bem. Melhor: é praticamente imune a marcas de dedos. O módulo de câmaras - baptizado de “Metal Mirror Camera Deco” - chama a atenção com o seu acabamento espelhado polido e uma placa quadrada que desce suavemente para a traseira do aparelho. É caprichado e não se parece com nenhum outro smartphone actual.

O ecrã adopta um acabamento waterfall, que suaviza as laterais e ajuda a tornar a pega mais confortável. Com 203 gramas e 8,49 mm de espessura, o 16 Pro+ não é o mais leve nem o mais fino da categoria. Nota-se na mão - é um smartphone grande, pensado para mãos maiores. Ainda assim, no dia a dia é agradável e passa uma sensação de construção acima do que o preço faria supor.

Há, contudo, um pequeno senão no motor háptico. A vibração ao escrever no teclado é pouco precisa, sem definição, como a que se associava a telemóveis de 200 € de há uns anos. Incomoda no início, embora se acabe por aceitar.

O 16 Pro+ conta com certificação IP69K. Nesta faixa de preço, garantir resistência não só à imersão, como também a jactos de água de alta pressão, é pouco comum. E muito bem-vindo.

Um ecrã feito para o sol a pique

O painel AMOLED de 6,8” entrega uma imagem de grande qualidade. A elevada definição, os pretos profundos típicos do OLED e as margens muito finas contribuem para uma experiência bem imersiva. A calibração de fábrica vem um pouco “puxada”, mas ajusta-se rapidamente nas definições.

A luminosidade é um dos destaques: mantém-se legível mesmo com sol directo. Sobe o suficiente para não deixar o utilizador apertado, mesmo com a luz a bater de frente. E para quem usa o telefone à noite ou em ambientes pouco iluminados, a atenuação por alta frequência reduz de forma eficaz o cintilar - um cuidado com o conforto visual que nem sempre aparece por estes valores.

A Realme escolheu um painel LTPS em vez de LTPO. O que muda? Na prática, um consumo um pouco mais elevado no modo Always On, mas nada que anule o que a bateria oferece - já lá vamos. É uma decisão coerente com o posicionamento do produto e, honestamente, no uso real, a diferença passa despercebida.

Desempenho muito competente e uma bateria fora da curva

No quotidiano, o Realme 16 Pro+ é fluido e rápido. As apps abrem depressa, o multitarefa corre sem atritos e a interface - bem trabalhada com a realme UI 7.0 - responde com a agilidade esperada neste segmento. Para quem joga no telemóvel, a realme acertou ao incluir um mecanismo de interpolação de imagens por IA que aumenta a sensação de fluidez.

Isto ajuda a contornar a menor força do GPU. Jogos exigentes como Genshin Impact correm com uma fluidez convincente, sem quebras visíveis. A temperatura mantém-se controlada mesmo em sessões longas, e o fornecimento directo de energia à motherboard quando o carregador está ligado ajuda a evitar o aquecimento associado à bateria.

O Realme 16 Pro+ traz uma bateria de 7 000 mAh baseada em tecnologia silício-carbono. Esta química, mais moderna do que o lítio-íon tradicional, permite guardar mais energia no mesmo espaço. Em utilização moderada - redes sociais, e-mails, navegação, algumas fotos e algum streaming - passei frequentemente dos dois dias completos sem ligar o cabo. Dois dias. É o tipo de autonomia que muda hábitos… e isso é excelente.

Mesmo num dia “a puxar” - streaming à noite, fotografia durante o dia e algumas sessões de jogo - o smartphone ainda mostrava 30% no final de uma jornada intensa. É difícil pedir muito mais neste intervalo de preço. O carregamento rápido SuperVOOC de 80 W cumpre bem: conte com cerca de 25 minutos dos 0 aos 50% e pouco mais de uma hora para chegar aos 100%. É um resultado muito bom tendo em conta a capacidade.

Como já se tornou habitual, o carregador não vem na caixa e será preciso gastar mais ou menos 50 € num adaptador compatível. O carregamento sem fios não está incluído - algo compreensível neste patamar. A Realme promete que a bateria manterá mais de 80% da capacidade após seis anos de utilização. Ainda é impossível confirmar, mas fica a garantia.

Um software bem afinado, com IA por todo o lado

A Realme UI 7.0 assenta em Android 16. Quem já usou um smartphone da Oppo vai sentir-se em casa: a interface da Realme é muito próxima da ColorOS, uma das mais completas do momento. Acho-a extremamente personalizável, rápida e, sobretudo, lógica na organização. A Realme compromete-se com cinco anos de actualizações principais do Android e seis anos de patches de segurança. Num equipamento de gama média, é um trunfo relevante.

A IA está presente em várias frentes, por vezes de forma bastante certeira. O “Génio da edição por IA” (que nome!) abre, a partir da galeria, um conjunto de funções generativas muito amplo: mudar penteados, roupa, cenário e ajustar a iluminação num retrato. Alimentado pelo modelo Nano Banana da Google, consegue resultados surpreendentes em edições simples com um prompt básico. Em segundos, um retrato banal ganha um ar de estúdio. Tem um lado quase mágico - e dá jeito para redes sociais (ou para “vestir” o meu editor-chefe).

Romain, o nosso editor-chefe, ao natural (à esquerda), agasalhado para o inverno (ao centro) e pronto para um casamento (à direita). As duas últimas imagens foram geradas a partir da primeira pela IA do realme 16 Pro+

O treinador de jogo por IA, por sua vez, é dirigido a um público muito específico - jogadores de títulos como PUBG Mobile ou Mobile Legends. Analisa a forma como jogo e dá-me conselhos para melhorar o desempenho. Noutro registo, o “laço inteligente por IA” permite enviar um elemento mostrado no ecrã directamente para uma app de terceiros com um gesto. Por fim, o Gemini da Google também marca presença através do assistente de voz e de aplicações como o Gmail.

Fotografia: dois bons módulos e um parente pobre

O conjunto de câmaras traseiras do Realme 16 Pro+ inclui três módulos:

  • Módulo principal: 200 Mpxl (tamanho 1/1,56″), objectiva com abertura f/1,8 com estabilização óptica (OIS)
  • Teleobjectiva: 50 Mpxl (tamanho 1/2,75″), objectiva com abertura f/2,8 com estabilização óptica (OIS), zoom óptico 3,5x,
  • Ultra grande-angular: 8 Mpxl (tamanho 1/4″), objectiva com abertura f/2,2.

A câmara frontal é composta por um sensor de 50 Mpxl (1/2,88″) e uma objectiva com abertura f/2,4.

Com boa luz, o sensor principal entrega fotografias realmente convincentes. O detalhe é excelente, as cores são fiéis assim que se corrige a calibração de origem (que tende a saturar um pouco) e o alcance dinâmico está bem trabalhado. A estrela é a teleobjectiva 3,5x: nítida e estável graças ao OIS, faz um óptimo trabalho. O modo retrato resulta muito bem tanto em pessoas como em naturezas-mortas. O zoom digital mantém-se utilizável até 10x e, no limite, 20x. A partir de 30x, a imagem perde detalhe a mais para continuar credível.

Quando a luz baixa, o módulo principal e a teleobjectiva continuam sólidos. Em modo nocturno, a IA faz um trabalho muito competente, embora por vezes tenda a sobre-expor ligeiramente para deixar a cena mais clara do que era na realidade. Tirando isso, o desempenho é consistente.

Já a ultra grande-angular é, claramente, o elo mais fraco. Ter apenas 8 megapíxeis face aos 200 e 50 dos outros sensores cria um desnível visível assim que a luz não é ideal. Em exteriores durante o dia ainda cumpre, mas em interiores ou ao fim da tarde/noite acusa as limitações.

A função Paisagem por IA endireita automaticamente a perspectiva durante a captura.

Entre as funções que me surpreenderam pela positiva estão a “Paisagem por IA”, que corrige perspectivas em fotografia de arquitectura, e a composição de cena assistida, que sugere ajustes de enquadramento em tempo real. Esta última pode ser particularmente útil para quem tem menos experiência.

O que penso do Realme 16 Pro+

O Realme 16 Pro+ foi uma surpresa muito agradável. Não é perfeito (o motor háptico fica aquém e a ultra grande-angular não acompanha), mas faz muito bem o essencial.

A autonomia é, provavelmente, o ponto mais marcante. Dois dias sem carregar é raro - e sabe bem. O ecrã é excelente, o design é diferente e a fotografia está a muito bom nível em dois dos três módulos. A Realme UI está entre as melhores interfaces Android, a IA está bem integrada e, na maioria das vezes, é útil sem se tornar intrusiva. O suporte de cinco anos é um argumento de peso.

À venda em França por 480 € na versão 8 GB/256 GB e 550 € na versão 12 GB/512 GB até 31 de março (530 € e 600 € depois), entra em rota de colisão com rivais fortes como o Nothing Phone (3a) ou o Motorola Edge 60 Pro. Neste cenário, os seus trunfos fazem sentido - e só a autonomia pode muito bem ser o factor decisivo.

Realme 16 Pro+ ao melhor preço
Preço base: 599 €

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realme 16 Pro+

a partir de 530 €

Nota global: 9.1

Categoria Pontuação
Ecrã 9.0/10
Desempenho 8.0/10
Autonomia 10.0/10
Fotografia 9.0/10
Relação qualidade/preço 9.5/10

Gostámos

  • Autonomia
  • Qualidade fotográfica com boa luz
  • Design + construção
  • Integração pertinente da IA
  • Certificação IP69K

Gostámos menos

  • Feedback háptico pouco conseguido
  • Ultra grande-angular limitado

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