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Ilha de Skye, no noroeste da Escócia: ferramentas de pedra e círculos sugerem humanos do Paleolítico

Homem com roupa de frio examina facas dispostas em pano na areia numa praia rochosa ao pôr do sol.

À primeira vista, a Ilha de Skye parece demasiado remota - e demasiado fria - para ter atraído pessoas da Idade da Pedra. Mas ferramentas de pedra e estruturas circulares descobertas recentemente no local estão a mudar essa ideia, sugerindo que humanos do Paleolítico chegaram até ao extremo noroeste da Escócia.

Segundo um novo artigo de uma equipa internacional de arqueólogos, essa deslocação levou populações do norte da Europa ao “fim de tudo”, num verdadeiro teste aos limites da ocupação humana na época.

"This is a hugely significant discovery which offers a new perspective on the earliest human occupation yet known, of north-west Scotland," says lead author and archaeologist Karen Hardy from the University of Glasgow.

"The journey made by these pioneering people who left their lowland territories in mainland Europe to travel northwards into the unknown is the ultimate adventure story."

Até há pouco tempo, não existia qualquer prova clara de uma população humana na Escócia antes do Holoceno, a época geológica atual que começou há cerca de 11.700 anos. Mesmo quando começaram a surgir artefactos mais antigos, assumia-se que o clima inóspito só permitiria visitas pontuais, e não uma presença contínua.

Mas o novo estudo indica que os humanos chegaram - e se fixaram - mais cedo do que se pensava.

Hardy e colegas baseiam as suas conclusões num conjunto de ferramentas de pedra e de estruturas em forma de círculo encontradas na Ilha de Skye ao longo dos últimos oito anos.

Infelizmente, não foi recuperado material que permita datação por radiocarbono, pelo que o momento exato da chegada humana permanece incerto. Ainda assim, há pistas importantes nos detalhes.

As antigas ferramentas de “mudstone” cozida (uma rocha sedimentar argilosa endurecida) descobertas em Skye têm características complexas que, segundo Hardy e a equipa, lembram artefactos da Europa continental do Paleolítico Superior Tardio, em particular os da cultura de Ahrensburg.

Ferramentas semelhantes às de Ahrensburg já foram encontradas noutras ilhas e ilhéus da Escócia, mas nunca tão a norte e nunca em tamanha quantidade.

Para a equipa, o número de artefactos feitos com materiais locais em Skye “indica ou uma população de dimensão razoável ou uma ocupação de longa duração”.

Além disso, os arqueólogos identificaram vários círculos de pedra, com 3 a 5 metros de diâmetro, numa grande planície intertidal no centro da ilha. Há muito tempo, quando a Escócia era mais gelada, essa zona teria estado acima do nível do mar.

Atualmente, os círculos de pedra só ficam visíveis durante cerca de duas a três horas por ano, quando chegam as marés vivas extremas da primavera. No resto do tempo, os arqueólogos tiveram de recorrer a mergulho com snorkel.

Mesmo na maré mais baixa, escavar no fundo arenoso encharcado tornou muito difícil medir camadas sedimentares definitivas para efeitos de datação.

Com base em alguma modelação climática, porém, esta planície intertidal estaria acima do nível do mar há aproximadamente 11.000 anos. Nos últimos 10.000 anos, os locais onde se encontram os círculos de pedra estiveram submersos, o que significa que terão sido construídos antes disso.

Para reforçar a hipótese, outros círculos de pedra semelhantes, encontrados do outro lado do mar na Noruega, foram datados por radiocarbono entre cerca de 10.400 e 11.000 anos atrás.

"The similarity between these circular alignments and those at Sconser is remarkable and supports the interpretation of a Late Pleistocene/Early Holocene age," write Hardy and colleagues.

Os especialistas não concordam totalmente sobre quando a cultura Ahrensburg surgiu e desapareceu, mas alguns estudos sugerem que existiu ainda há 10.500 anos. Há também evidência de artefactos do tipo Ahrensburg dessa época no que é hoje o sul de Inglaterra.

Hoje, a Ilha de Skye está ligada ao continente por uma ponte construída pelo homem. Durante o Paleolítico Superior, no entanto, quando as mantas de gelo na região estavam a expandir-se, pode ter existido uma ponte terrestre ou uma travessia muito estreita, com menos de 300 metros de largura. Esta passagem poderia ter sido percorrida a pé por humanos da Idade da Pedra durante as marés vivas.

Nesse período, porém, as margens ocidentais da Escócia seriam frias e pouco acolhedoras. Os autores da análise arqueológica recente suspeitam que os primeiros humanos chegaram a Skye depois de as mantas de gelo já terem começado a recuar.

"As they journeyed northwards, most likely following animal herds, they eventually reached Scotland, where the western landscape was dramatically changing as glaciers melted and the land rebounded as it recovered from the weight of the ice," hypothesizes Hardy.

"A good example of the volatility they would have encountered can be found in Glen Roy, where the world-famous Parallel Roads provide physical testament to the huge landscape changes and cataclysmic floods that they would have encountered, as they travelled across Scotland."

Sem uma datação por radiocarbono fiável, é difícil dizer muito sobre quando estas culturas chegaram. Hardy e colegas reconhecem esta limitação, mas, com base no que se sabe sobre humanos da Idade da Pedra na Europa continental e no sul de Inglaterra, há motivos para suspeitar de um avanço precoce para norte.

O estudo foi publicado em The Journal of Quaternary Science.

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