Milhares de pessoas ocuparam o centro de Barcelos para ver a Batalha das Flores, um dos pontos altos mais esperados da Festa das Cruzes, que voltou a impor-se como um espetáculo singular de cor e de participação popular. Para que este confronto “a fingir” aconteça, são necessárias muitas horas de preparação: recolher flores e separar as pétalas que, depois, servem de munição desta tradição.
Apesar de o arranque estar previsto para as 15.30 horas, ao meio-dia a Avenida da Liberdade já se apresentava em movimento, com muitos visitantes a chegarem cedo para assegurarem um lugar na primeira fila. Ainda a vários quilómetros do coração da festa, as bermas das estradas encontravam-se cheias de viaturas, sinal da forte afluência de público vindo de diferentes pontos do país e também da vizinha Galiza.
Este ano, a Batalha das Flores teve como tema o Figurado de Barcelos, com todos os carros alegóricos ornamentados com recriações de peças de barro emblemáticas, bem reconhecidas pelo grande público. No total, participaram neste desfile cerca de dois mil figurantes, em representação de 42 associações do concelho.
Sorrisos e pétalas
No momento mais marcante da tarde, os carros encontraram-se no centro da cidade e deram o tiro de partida para a tradicional “batalha”. Milhares de pétalas atravessaram o ar de um lado para o outro, envolvendo participantes e público num ambiente de entusiasmo contagiante. Via-se o sorriso estampado em quem desfilava e também em quem assistia, num vai-e-vem constante de flores em que ninguém fica indiferente - nem o presidente da Câmara de Barcelos, Mário Constantino Lopes, que também alinhou na brincadeira. As pétalas acabaram por pousar no cabelo, na roupa e até nos bolsos dos soldados a fingir.
Para quem entra no desfile, a experiência começa vários dias antes. Conceição Ferreira, do Grupo Desportivo e Recreativo "Os Moinhos" de Paradela, participou pela primeira vez e fez questão de realçar o trabalho exigido: "É a primeira vez que participo e está a ser muito bom. Foi uma semana dura, entre apanhar flores e preparar tudo, mas vale muito a pena".
Já António Oliveira, presidente do Grupo Folclórico Santa Maria de Moure, chamou a atenção para a forma como o evento se tem transformado ao longo do tempo: "Participo desde 2008 e isto tem crescido muito, com mais associações e maior envolvimento". Do lado de quem assiste, Manuel Loureiro, da Póvoa de Varzim, mostrou-se fã da tradição: "Já costumo vir e gosto muito. É uma festa popular espetacular e a batalha das flores é sempre muito bonita". De Espinho, Maria Irene Santos esteve em Barcelos pela primeira vez: "Vim numa excursão e estou a gostar muito. Já dei uma volta à festa e está tudo muito bonito. Estou a gostar bastante".
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