Numa vila francesa sossegada, um casal idoso prepara-se para a reforma com um rendimento que muitos trabalhadores poderiam invejar - apesar de nunca ter tido um emprego remunerado.
O caso lança uma luz dura, mas reveladora, sobre a forma como funciona em 2026 a rede de segurança das pensões em França e sobre como uma vida passada fora do emprego tradicional pode, ainda assim, resultar num rendimento de reforma seguro e garantido pelo Estado.
Uma pensão “sem trabalho” que continua a pagar as contas
O casal, ambos no final dos 60 anos, afirma que nunca teve uma carreira formal. Nada de décadas numa fábrica, nenhum posto num escritório, nenhum registo regular de recibos de vencimento. Mesmo assim, a partir de 2026, reúnem condições para receber, em conjunto, uma pensão mensal pouco acima de 1.600 €.
Este montante coloca-os acima do limiar de pobreza em França e dá-lhes um rendimento mais estável do que o que muitos trabalhadores mal pagos conseguem esperar após uma carreira completa.
Como é que isto é possível? A explicação está num conjunto de mecanismos sociais que a França foi construindo discretamente ao longo de décadas: prestações mínimas de velhice, períodos de contribuição “assimilados” e um regime específico para pais que ficam em casa.
As regras francesas que permitem uma pensão sem carreira
Como a Aspa complementa pensões baixas ou inexistentes
No centro desta história está a allocation de solidarité aux personnes âgées, mais conhecida como Aspa. Trata-se da rede de segurança de base para a velhice em França, destinada a quem tem uma pensão muito reduzida ou não tem pensão própria.
Ao contrário da maioria das pensões, a Aspa não depende do número de anos trabalhados nem do nível de rendimentos obtidos. O que conta é a idade, o local de residência e o montante de rendimentos disponíveis quando se atinge a idade de reforma.
- Requisito de idade: regra geral, 65 anos ou mais (ou 62 anos em situações de deficiência ou incapacidade para o trabalho).
- Residência:
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