As semanas académicas voltam a representar um esforço de milhões de euros para os estudantes e para as estruturas que organizam as festas. Em Braga, o investimento deverá, pela primeira vez, ultrapassar a fasquia de um milhão de euros, impulsionado por mais um dia de celebrações. Em Coimbra, a dotação mantém-se nos 2,2 milhões de euros, com um cartaz que inclui artistas internacionais. Já a Federação Académica do Porto (FAP) não revela o valor total aplicado na Queima das Fitas, mas garante que reforçou a verba destinada à segurança. Ainda assim, a época não se esgota na festa e no dinheiro: as academias têm intensificado iniciativas de solidariedade.
De norte a sul, é tempo de celebrar os estudantes, e as federações académicas fazem-no com programas que, regra geral, se estendem por cerca de sete dias, com nomes nacionais e internacionais a preencher as noites. No Porto, a Queima das Fitas arranca este sábado na Invicta, com a habitual serenata na Avenida dos Aliados.
"Este ano, temos 35% do orçamento investido em segurança no Queimódromo. O maior investimento de sempre. Isto traduz-se em mais de 500 operacionais no terreno, entre PSP, Proteção Civil, segurança privada e bombeiros, apoiados por 12 torres de vigia e mais de 100 câmaras de videovigilância que cobrem todo o recinto", junto ao Parque da Cidade do Porto, afirmou ao JN Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP. Na cidade, a semana mais esperada pelos estudantes prolonga-se até ao próximo sábado.
Mais uma noite de festa no Enterro da Gata
Em Braga, o orçamento associado ao tradicional Enterro da Gata superou, pela primeira vez, um milhão de euros. A subida está ligada à decisão de acrescentar mais uma noite ao programa, passando de sete para oito noites.
"Esta decisão enquadra-se numa estratégia de reforço do posicionamento do evento na cidade de Braga, procurando uma maior aproximação à comunidade local. Neste sentido, a programação foi pensada para integrar públicos mais alargados, incluindo a população bracarense", explicou a organização. Na Cidade dos Arcebispos, o Enterro da Gata realiza-se entre 8 e 16 de maio.
Valores elevados não são uma exceção nas várias academias. Em Viana do Castelo, Tiago Melão, presidente da Federação Académica do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), admitiu que a semana académica deste ano - marcada para 16 a 23 de maio - ficará mais dispendiosa, embora sem avançar números. "Em relação aos custos e ao aumento de custos, não conseguimos dar um valor, porque é no final do evento que contabilizamos certos gastos. Mas dado o estado do país, está previsto um aumento significativo em vários setores", salientou.
Coimbra mantém custo na Queima das Fitas
Em Coimbra, o montante aplicado deverá ser semelhante ao de 2025: a academia fixou um orçamento de 2,2 milhões de euros para a edição deste ano, que decorre entre 22 e 30 de maio. Ainda assim, de acordo com o presidente da comissão organizadora da Queima das Fitas, Carlos Missel, a intenção é controlar e reduzir despesas, atendendo à dívida que a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra anunciou no ano passado, na ordem dos 600 mil euros.
Para construir o cartaz de concertos, a academia recorreu a um inquérito junto dos estudantes e procurou alinhar a programação com as preferências apontadas, com destaque para hip-hop, trap e funk. Os bilhetes diários já estão à venda, com valores entre 12 e 16 euros - menos um euro do que em 2025 -, enquanto o passe geral custa 65 euros.
Enquanto muitos estudantes ainda se preparam para a fase mais intensa das celebrações, noutros pontos do país a semana académica já decorre ou está a terminar. Em Aveiro, a semana do Enterro, que termina a 4 de maio, contou com um investimento a rondar os 600 mil euros.
Ações solidárias nas semanas académicas
A festa, porém, não é a única prioridade do meio académico. Ao longo das semanas académicas e durante o ano letivo, têm sido promovidas diversas ações de solidariedade. Em Coimbra, a organização da Queima das Fitas mantém uma parceria com o canil municipal para incentivar a adoção de animais e prepara uma corrida solidária, cujas receitas revertem a favor da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Há também o Dia do Antigo Estudante/Dia Solidário, em que o dinheiro angariado é canalizado para o fundo social de bolsas. "A capacidade de mobilização da Queima deve ser colocada ao serviço de quem mais precisa. Trata-se de utilizar a força e alcance do evento para gerar impacto positivo na comunidade", sublinhou Carlos Missel.
No Porto, a FAP disponibilizou dois mil bilhetes para a Queima das Fitas a estudantes bolseiros. E, no dia 4 de maio, promove o Dia da Beneficência na Baixa do Porto, encaminhando todos os fundos recolhidos para a AMI - Assistência Médica Internacional. Em Braga, por sua vez, os estudantes dinamizaram o "UMEncontro", iniciativa que permitirá a uma instituição de caráter social estabelecer contacto direto com artistas do cartaz. A organização assegura ainda que todos os bens alimentares, devidamente acondicionados e em condições de consumo, que não possam entrar no recinto serão direcionados para doação ao Projeto Bon-dja São Tomé.
Estão igualmente previstas iniciativas associadas à sustentabilidade. Em Viana do Castelo, será plantada uma árvore por cada mil copos reutilizáveis vendidos durante os eventos da semana académica. Mais tarde, as árvores serão colocadas no terreno numa ação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, em parceria com a Câmara local.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário