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Serralves em Festa: 20.ª edição traz 50 horas seguidas ao Porto

Pessoas sentadas em piquenique num parque com edifício clássico e banda a tocar ao fundo ao pôr do sol.

Serralves em Festa: 50 horas de criação contínua

Entre as 18h de 29 de maio e as 22h de 31 de maio, Serralves passa a funcionar como um território de criação ininterrupta. Durante 50 horas seguidas, o público tem entrada gratuita na 20.ª edição do Serralves em Festa, apresentada esta segunda-feira - um convite tentador que também obriga a escolhas difíceis.

A programação estende-se por música, dança, teatro, circo contemporâneo e cinema, pensada para públicos distintos: há propostas para famílias, momentos noturnos e criações orientadas para espectadores mais especializados.

No total, participam cerca de 650 artistas de 34 nacionalidades num programa que inclui música, dança, exposições, teatro de rua, circo contemporâneo, sessões de cinema, oficinas e visitas orientadas.

O Porto entra no ritmo com o desfile “Caravanserá”

Para lá dos jardins e do museu, o Serralves em Festa faz o Porto “mexer” ainda antes do arranque oficial. Na tarde de 28 de maio, quinta-feira, na véspera do início, o desfile “Caravanserá” atravessa a Baixa, servindo de aquecimento para o fim de semana prolongado.

Concebido por Gustavo Ciríaco como homenagem à artista brasileira Maria José Ciríaco, o desfile cruza dança e artes visuais e mobiliza cerca de 80 participantes.

O trajeto começa na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e termina na Praça D. João I, passando pelo centro da cidade. Integram este desfile a Academia Costa Cabral, a Academia de Música, o Departamento de Design da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e o Centro Coreográfico Instável. “É uma forma de trazer desde logo o público para o espírito do que vai acontecer em Serralves”, explicou Cristina Grande, uma das responsáveis pela programação de artes performativas.

Pontos altos da programação

A música volta a assumir um lugar decisivo numa programação que ainda não está fechada, numa combinação de géneros, geografias e diferentes modos de estar em palco. Entre dezenas de propostas, há espetáculos que se destacam como momentos altos desta edição.

Dança, teatro e performance

  • “Tenet”, da Eunoia Kollectiva: um espetáculo acrobático de grande formato, com música ao vivo, que investiga inversões físicas e as perceções do corpo em movimento.
  • “Respire”, da companhia francesa Les Filles du Renard Pâle: um percurso aéreo com 75 metros de extensão, suspenso a 11 metros de altura entre a Casa de Serralves e o jardim.
  • “A Cavalo, no Jardim”, de Sónia Baptista: uma criação coreográfica que convoca referências literárias e culturais para pensar a relação entre humanos e cavalos.
  • “Bicho Papelão”: um espetáculo de teatro com humor, centrado na leitura e no universo dos livros.

Música

  • Os Mão Morta, uma das bandas mais influentes do rock alternativo português desde os anos 80, apresentam em Serralves uma obra especial com a participação do acordeonista João Barradas e de Mariana Vilanova.
  • Entre os concertos mais esperados está o regresso de Conan Osíris ao Porto. O músico, que ganhou projeção internacional ao representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção de 2019, com “Telemóveis”, leva a Serralves uma estética muito própria, onde se cruzam fado, música eletrónica, pop, dance hall e influências de kizomba, num espetáculo pensado também como experiência visual.
  • Do outro lado do Atlântico chegam os Cybotron, nomes fundadores da música eletrónica em Detroit e figuras centrais na génese do techno. A presença do grupo sublinha a vertente histórica e experimental do cartaz musical.
  • Destaque ainda para “You Origin”, projeto de Stephen O’Malley, figura central da música experimental contemporânea e cofundador da banda Sunn O))). Reconhecido pelo trabalho em drone metal e pela composição minimalista, O’Malley apresenta em Serralves uma obra com o ensemble Alponom, escrita para 10 trompas alpinas, explorando a acústica natural do espaço e desenhando uma paisagem sonora imersiva.
  • Sobem também ao palco a banda britânica The Sabres of Paradise e o duo de Barcelona Dame Area.

Texto de Jéssica Cristóvão, editado por João Pedro Barros.

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