A União Europeia (UE) e a China parecem estar mais perto de fechar entendimento sobre as tarifas de importação aplicadas aos automóveis elétricos fabricados na China.
Em meados do ano passado, a UE avançou com tarifas adicionais de até 35,3% (acrescidas aos 10% já existentes) sobre os elétricos importados da China, justificando a decisão com aquilo que classifica como “concorrência desleal”.
De acordo com Bruxelas, o Governo chinês tem apoiado diretamente os fabricantes nacionais, o que, na ótica europeia, lhes permite reduzir artificialmente os preços e ganhar quota de mercado no espaço europeu.
Negociações UE-China e preço mínimo para automóveis elétricos
Nas últimas semanas, as duas potências têm dado sinais claros de aproximação. O comissário europeu para o comércio, Maros Sefcovic, e o ministro do comércio chinês, Wang Wentao, confirmaram progressos nas conversações, incluindo a possibilidade de um acordo que passe por estabelecer um preço mínimo para os automóveis elétricos produzidos na China.
Numa publicação recente na rede social X, o Ministério do Comércio da China indicou que as negociações “entraram na fase final”, embora tenha ressalvado que “são ainda necessários esforços de ambas as partes”.
“Observações do porta-voz do MOFCOM sobre as conversações do ministro Wang Wentao com o comissário europeu para o Comércio e a Segurança Económica, Maroš Šefčovič, durante a sua visita a França (2/4)
P: Há algum novo progresso nas negociações sobre compromissos de preço para veículos elétricos entre a China e a UE? O que é que…”
- Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM) (@MOFCOM_China), 8 de junho de 2025
Na mesma nota, pode ler-se que “ambas as partes instruíram as suas equipas de trabalho a redobrar esforços para encontrar soluções mutuamente aceitáveis, em conformidade com as respetivas legislações e com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio)”. Além disso, assumiram o compromisso de resolver “as divergências comerciais de forma apropriada”.
Impacto das tarifas
A aplicação destas tarifas tem produzido efeitos imediatos em vários fabricantes chineses. Perante este cenário, algumas marcas optaram por reforçar a aposta nos híbridos plug-in, que ficam de fora destas tarifas.
Outras empresas, como a BYD e a Chery, avançaram com planos para instalar fábricas próprias em solo europeu, procurando reduzir o impacto das restrições.
O alcance das tarifas, porém, não se limita às marcas chinesas. O CUPRA Tavascan, por exemplo, é abrangido por uma tarifa de 45,3%.
Como são definidas as taxas pela Comissão Europeia
As taxas aplicadas não são iguais para todos. A variação depende do nível de cooperação dos fabricantes com a investigação conduzida pela Comissão Europeia.
Quem não colaborou enfrenta a taxa máxima; por outro lado, as empresas que cooperaram beneficiam de tarifas mais baixas.
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