O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão indicou, esta terça-feira, que as negociações na Suíça entre delegações de Teerão e de Washington ficaram concluídas, com a decisão de avançar com quatro grupos de trabalho.
Negociações Irão–Estados Unidos na Suíça: estrutura e próximos passos
Segundo Kazem Gharibabadi, em declarações reproduzidas pela agência estatal iraniana IRNA, o entendimento alcançado prevê que as próximas rondas sejam conduzidas sob orientação de um órgão político de topo.
"Com base nos acordos alcançados, as futuras negociações serão conduzidas sob a supervisão de um comité de alto nível, com a participação do presidente da Assembleia Consultiva Islâmica e ministro dos Negócios Estrangeiros do nosso país, do primeiro vice-presidente dos Estados Unidos e dos primeiros-ministros do Qatar e do Paquistão", declarou Kazem Gharibabadi, citado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA.
O responsável iraniano não avançou, contudo, qualquer data para a continuação das conversações.
Grupos de trabalho e supervisão política
No mesmo enquadramento, Gharibabadi disse ter ficado acordada a criação de quatro estruturas técnicas para tratar áreas específicas.
"Além disso, foi decidido formar quatro grupos de trabalho: suspensão das sanções, programa nuclear, reconstrução e desenvolvimento económico, e acompanhamento e implementação", acrescentou.
Gharibabadi, que esteve à frente da equipa técnica do Irão nas negociações, referiu ainda que foi garantida a libertação imediata de 12 mil milhões de dólares (10,5 mil milhões de euros) em ativos iranianos congelados. Acrescentou também que os Estados Unidos emitiram uma licença que autoriza a comercialização de petróleo extraído no Irão.
Licenças, fundos e impacto no petróleo
Na segunda-feira, o Departamento do Tesouro norte-americano emitiu uma licença válida por 60 dias - até 21 de agosto -, permitindo a produção, venda, transporte e importação de petróleo bruto, produtos petroquímicos e outros derivados de petróleo iranianos.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, escreveu na rede social X que "em consonância com as discussões produtivas que ocorrem na Suíça, o Irão comprometeu-se a garantir o trânsito livre e aberto pelo estreito de Ormuz e a permitir a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) no seu território."
Também na segunda-feira, a partir de Bürgenstock, na Suíça, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que, no domingo, no arranque do diálogo com Teerão, houve "progressos muito bons".
Vance afirmou que "o estreito de Ormuz está aberto" e que a AIEA poderá entrar no Irão.
Após um entendimento preliminar, os EUA levantaram na semana passada o bloqueio imposto aos portos e à costa iraniana. A medida tinha sido aplicada em abril como forma de pressão sobre a República Islâmica, cuja economia assenta de forma decisiva no petróleo.
Antes de entrar em vigor o embargo, o Irão exportava habitualmente mais de 1,5 milhões de barris de petróleo por dia. Em maio, esse montante baixou para 260 mil barris por dia, de acordo com uma análise divulgada pela emissora norte-americana CNBC.
Estreito de Ormuz e acesso da AIEA
Já na segunda-feira, o negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o estreito de Ormuz não voltará à situação anterior ao conflito com Israel e EUA, assegurando que Teerão passará a gerir essa rota marítima.
"É claro que as normas internacionais serão respeitadas, mas o Irão vai gerir o estreito de Ormuz", disse Ghalibaf, citado pela IRNA.
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