Cada vez mais jardineiros amadores procuram formas de proteger os canteiros das lesmas sem recorrer logo a produtos químicos. Uma solução surpreendentemente simples anda a circular: basta uma tábua de madeira crua, sem tratamentos, para reduzir de forma significativa estes “comedores” no canteiro de hortícolas - sem custos e sem substâncias nocivas.
Porque é que as lesmas acham a madeira tão irresistível
As lesmas são animais frágeis. Como não têm concha protetora, perdem água continuamente através da pele e do muco. Por isso, procuram humidade, sombra e esconderijos muito perto do solo. É precisamente aí que entra o truque da tábua.
Um pedaço de madeira não tratada cria um pequeno microclima que as atrai quase como um íman:
- A madeira absorve humidade do solo e do ar.
- Debaixo da tábua, o ambiente mantém-se fresco e sombreado durante mais tempo.
- A superfície é rugosa, o que facilita a aderência dos animais.
À noite, as lesmas percorrem os canteiros, roem plântulas e rebentos jovens e, ao nascer do dia, procuram um refúgio seguro. Quem coloca tábuas com antecedência oferece-lhes exatamente esse abrigo - mas com uma intenção bem definida.
"As lesmas juntam-se voluntariamente debaixo da tábua de madeira; ao jardineiro só lhe resta apanhá-las."
Desta forma, o instinto natural de sobrevivência acaba por se transformar numa armadilha.
Que tipo de madeira serve - e qual não serve
O resultado depende muito do material escolhido. Nem todas as tábuas funcionam da mesma maneira.
Bem indicado
- Tábuas antigas de cofragem compradas em loja de bricolage
- Prateleiras em abeto ou pinho sem qualquer tratamento
- Sobras de soalho ou ripas sem verniz
- Restos de OSB mais grosseiro, desde que não sejam revestidos
Melhor evitar
- Tábuas envernizadas ou com velatura
- Placas de mobiliário revestidas (por exemplo, aglomerado brilhante)
- Placas com camada de plástico ou metal
A madeira tratada quase não absorve água, mantém-se seca no interior e, por isso, cria condições muito menos apelativas. A madeira crua, pelo contrário, é porosa, retém humidade e forma o abrigo húmido que se pretende.
Passo a passo: assim funciona a armadilha com tábua
A aplicação no canteiro é simples, mas alguns pormenores fazem a diferença entre resultar ou falhar.
- Escolher o local: coloque a tábua junto à borda do canteiro, ao lado de alface, feijão, espinafre, couves ou ervas jovens. Estas plantas são consideradas autênticos ímanes para lesmas.
- Humedecer o solo: regue bem a zona onde a tábua vai assentar. Assim cria-se uma faixa de humidade ainda mais atrativa.
- Assentar a tábua: ponha-a plana no chão, sem folgas. Quanto mais encostada ao solo, melhor se conserva a humidade.
- Deixar passar a noite: durante a noite, as lesmas deslocam-se; de manhã, refugiam-se debaixo da tábua.
- Verificar de manhã: cedo, antes de o sol aquecer, levante a tábua e recolha os animais.
Quem tem vários canteiros ou já sofreu danos severos pode distribuir várias tábuas - como um “cinturão” de armadilhas à volta das culturas mais procuradas.
Sem venenos contra lesmas - e o que se ganha com isso
Os granulados anti-lesmas são criticados há anos. Produtos com determinados princípios ativos podem afetar não só o alvo, mas também ouriços, aves ou anfíbios, quando estes comem lesmas intoxicadas. Até preparações consideradas “biológicas” entram recorrentemente em discussão, porque em doses mais elevadas podem desequilibrar o ecossistema.
A tábua de madeira atua de forma totalmente diferente:
- Sem princípio ativo no solo
- Sem risco para crianças e animais de estimação
- Sem resíduos nos legumes
- Custos mínimos; muitas vezes chegam sobras de madeira que já existem
"A armadilha com tábua não substitui um plano de proteção completo, mas é um elemento forte para uma jardinagem sem venenos."
A forma de remover as lesmas fica ao critério de cada jardineiro. Há quem as leve para longe, para uma zona mais “brava”; outros dão-nas a galinhas ou patos. O essencial é não as largar ao lado do canteiro - caso contrário, regressam mais depressa do que se gostaria.
Tábuas como instrumento de medição no jardim
Esta técnica não serve apenas para capturar; também ajuda a compreender melhor o terreno. Ao espalhar várias tábuas, percebe-se rapidamente onde estão os “pontos quentes” escondidos.
Padrões frequentes que costumam aparecer:
- Muitos animais perto de sebes densas ou junto ao compostor
- Grande concentração em depressões com encharcamento
- Infestação particularmente alta em canteiros muito cobertos com mulch e matéria orgânica
Quando se identificam estes focos, dá para atuar: melhorar a drenagem, reduzir temporariamente camadas muito espessas de cobertura orgânica ou optar por plantas que as lesmas tendem a ignorar, como certas ervas aromáticas.
Como combinar a técnica da tábua de forma sensata
Quem quer reduzir o problema a longo prazo não pensa apenas em armadilhas, mas no equilíbrio global do jardim. Aqui, várias peças do puzzle encaixam.
Incentivar inimigos naturais
Entre os aliados mais úteis estão ouriços, sapos, patos-corredores, lagartos e determinadas espécies de escaravelhos. Precisam de refúgios, pontos de água e pouca perturbação. Montes de folhas, alinhamentos de pedras, pequenos recipientes com água e canteiros sem venenos criam estes abrigos. E quem recolhe lesmas à noite, acaba por disponibilizar aos predadores uma espécie de buffet fácil.
Barreiras e truques de plantação
Há superfícies que as lesmas evitam, por lhes rasparem o ventre e o muco. À volta de culturas sensíveis, alguns jardineiros colocam, por exemplo:
- Cascalho grosso ou brita angular
- Pellets de madeira ou de lã de ovelha
- Anéis metálicos ou vedações anti-lesmas específicas
Em paralelo, vale a pena olhar para a seleção de plantas. Certas variedades ornamentais e hortícolas são menos atacadas. Alfaces mais robustas, muitas aromáticas mediterrânicas ou perenes de crescimento vigoroso podem aliviar as culturas mais frágeis, ao “dividir” a pressão de ataque dentro do canteiro.
Onde estão os limites e os riscos
Por muito engenhoso que seja o truque da tábua, raramente resolve sozinho uma infestação grave. Em anos chuvosos ou em solos muito pesados, a pressão pode ser tão elevada que são necessárias medidas adicionais. Além disso, se se demorar demasiado a recolher, é possível que debaixo da tábua apareçam não só lesmas, mas também outros animais, como bichos-de-conta ou aranhas. Não é propriamente um problema, mas pode surpreender quem é mais sensível.
E há mais: algumas espécies quase não se deixam atrair por tábuas, ou já têm esconderijos preferidos - erva alta, coberturas vegetais densas ou montes de pedras soltas. Se, nesses casos, se apostar apenas na tábua, acaba-se por contornar as causas reais.
Exemplo prático: como pode ser um plano de época
Para integrar a técnica da melhor forma, ajuda ter um guião simples ao longo do ano de jardinagem:
| Período | Medida com tábuas |
|---|---|
| Início da primavera | Colocar as primeiras tábuas junto aos canteiros planeados de alface e feijão e verificar a presença. |
| Época de plantação | Posicionar as armadilhas mesmo ao lado das plantas jovens acabadas de transplantar e controlar diariamente. |
| Verão | Mover as tábuas para zonas sombrias e húmidas, onde as lesmas se recolhem. |
| Outono | Reduzir as verificações e usar as tábuas como indicador de locais de hibernação. |
Ao ganhar este hábito, passa-se a conhecer muito bem a população de lesmas no próprio terreno. Elas não desaparecem por completo, mas causam bastante menos estragos - e os legumes no canteiro ficam com hipóteses bem mais reais de crescerem grandes e estaladiços.
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