Aeroporto Francisco Sá Carneiro perto do limite de capacidade
Em 2025, o Aeroporto Francisco Sá Carneiro alcançou um máximo histórico de 17 milhões de passageiros e está a aproximar-se rapidamente do seu teto operacional. Luís Pedro Martins, presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte, deixa um alerta direto: “Estamos muito próximos de poder vir a ter problemas no aeroporto se não houver investimento.”
O responsável recorda a evolução do tráfego para sublinhar a urgência: “Há 30 anos tínhamos 400 mil passageiros. O sucesso e crescimento deste aeroporto exigem investimento urgente”, afirma, num contexto de expansão impulsionada por novas ligações internacionais e pelo turismo de longo curso.
Apelo à Vinci Airports e o exemplo do Aeroporto de Lisboa
Depois do pedido do primeiro-ministro Luís Montenegro à Vinci Airports para acelerar as obras e os investimentos, Luís Pedro Martins reforça a necessidade de antecipação nas decisões: “Gostaríamos de viver num país onde as medidas existam antes de já serem absolutamente necessárias. Temos o grande exemplo da vergonha que nos dá a todos o Aeroporto de Lisboa.”
Rotas internacionais, exportações e turismo de longo curso no Aeroporto do Porto
Com mais de 130 rotas asseguradas por cerca de 30 companhias aéreas, o Aeroporto do Porto consolidou-se como um dos grandes motores económicos do Norte. “É um fator crítico de sucesso para o turismo, mas também para todos os outros sectores. Estamos a falar da região que representa cerca de 40% das exportações do país.”
Luís Pedro Martins destaca ainda a maior relevância de mercados de valor acrescentado, com enfoque nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. Em 2025, o mercado norte-americano firmou-se como um dos mais importantes para a região. Em paralelo, a chegada de turistas brasileiros aumentou 25% no primeiro trimestre deste ano, em contraciclo com a tendência nacional.
Neste quadro, a entrada da Delta Air Lines no Porto, com a nova ligação direta para Nova Iorque (JFK), é vista como um passo estratégico. “É este tipo de rotas que queremos continuar a atrair”, sublinha.
Também a TAP comunicou o reforço da operação de longo curso a partir do Porto, incluindo a continuidade da ligação a Boston durante todo o ano e novas rotas previstas para o Brasil e Estados Unidos em 2027. “Os anúncios recentes são sinal de esperança, mas aguardamos que sejam concretizados.”
Manter aposta no mercado interno
Em 2025, o Porto e Norte foi a região que mais captou turismo nacional, totalizando 5,4 milhões de dormidas de residentes, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE). Pela primeira vez, os proveitos do alojamento turístico ultrapassaram os mil milhões de euros - um resultado que Luís Pedro Martins considera ainda aquém do real.
Segundo o responsável, há subcontagens relevantes nas estatísticas: “O INE continua sem contabilizar milhares de dormidas em barcos-hotéis do Douro e em alojamentos com menos de dez camas. As nossas estimativas apontam para valores reais entre 25% e 30% acima desses números.”
Para sustentar esta trajetória, a região planeia aplicar cinco milhões de euros na promoção turística no mercado interno e em Espanha, com particular foco na qualificação da oferta. Para a promoção externa, estão reservados mais 3,5 milhões de euros por ano. “Se compararmos com os vizinhos espanhóis, que têm cerca de 14 milhões para esta promoção externa, nós, com muito pouco, estamos a conseguir grandes resultados.”
A orientação passa também por diversificar produtos e distribuir os visitantes pelos 86 municípios do Porto e Norte, organizados em quatro sub-regiões: Porto, Douro, Minho e Trás-os-Montes. Luís Pedro Martins aponta Trás-os-Montes como um território com potencial “absolutamente extraordinário”, mas que carece de reforço em alojamento e animação turística. Salienta ainda a proximidade a Espanha e o futuro TGV como uma nova via de entrada no país. “O interior tem sido para o turismo uma oportunidade e não uma fatalidade”, reforça.
A estratégia do Porto e Norte está hoje estruturada em três eixos principais: natureza, cultura e enoturismo. A região reúne 70% da oferta nacional de turismo industrial e prepara novos produtos associados a rotas temáticas, património, gastronomia e vinho. Entre os projetos referidos, destacam-se o novo Centro de Inteligência Turística, criado com a Porto Business School, e o Gastronomy Innovation Campus, uma futura escola e polo de inovação gastronómica desenvolvido em articulação com o Basque Culinary Center.
“Os portugueses descobriram a norte algo que hoje é raro: autenticidade e diversidade. Num tempo de velocidade e artificialidade, isso tornou-se decisivo.”
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