"Doze anos depois e numa nova encarnação, estou de regresso à feira", recordou António José Seguro, agora presidente da República, lembrando que, na sua última passagem pela Ovibeja, era secretário-geral do PS. O chefe de Estado dedicou a tarde de ontem a percorrer o certame.
Visita de António José Seguro à Ovibeja
À entrada, David Catita, criador de ovinos da raça Suffolk, originária da Irlanda, recebeu o presidente da República. Ainda assim, foi o filho, o pequeno Tiago, quem apresentou as vantagens "da carne destes ovinos e a sua grande resiliência nos campos que se constituem como sapadoras na prevenção dos incêndios", disse.
Vinho em destaque na 42ª Ovibeja
Depois do almoço, Seguro, sempre acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, a bejense Maria da Graça Carvalho, participou num colóquio dedicado ao vinho - tema central da 42ª da Ovibeja - devido à nomeação do Baixo Alentejo como Capital Europeia do Vinho 2026. Aí, sublinhou "a agricultura como um dos mais importantes setores do país e em particular no Alentejo".
Crítica a seguradoras
De seguida, o presidente da República passou por vários expositores presentes na Ovibeja. Antes do périplo, prestou declarações aos jornalistas, voltando a destacar "a agricultura como um dos mais importantes setores do país e em particular no Alentejo".
O novo presidente considerou que os agricultores "são os grandes protagonistas e investidores de duplo risco, ao empreender e ficar dependentes do que a natureza lhes dá". Nesse contexto, deixou uma crítica firme ao setor segurador, defendendo que "aqui não funcionam como em outros países onde cobrem mais o risco. Os agricultores não têm essa cobertura", concluiu.
O chefe de Estado relatou, ainda, a conversa que teve com um jovem agricultor que operava um drone "que faz a aplicação de caldas nos campos, com a mesma segurança e mais rapidez do que um trator", referiu.
A propósito dos ovinos, Seguro argumentou que, num setor com perspetivas de futuro, "os rebanhos são essenciais para prevenir incêndios". Acrescentou que a agricultura "fixa pessoas em territórios de baixa densidade" e deixou um reparo sobre a subida dos preços na produção, observando que "o Estreito de Ormuz nunca devia ter fechado", rematou.
"Valeu a pena voltar", disse, ao JN
No Pavilhão Institucional, o Presidente da República visitou os stands de instituições e empresas ligadas ao setor agrícola, à boa maneira de Marcelo. Uma das paragens mais demoradas aconteceu no espaço da Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), cujos dirigentes se comprometeram a enviar um caderno onde ficarão refletidas as principais dificuldades e necessidades para que o país tenha mais jovens a escolher a profissão.
No final, antes de se despedir, falou ao JN: "Gostei muito do que vi. A Ovibeja é uma expressão fantástica da grande capacidade e perseverança, do investimento, da inteligente, do talento e do trabalho dos agricultores portugueses. Doze anos depois valeu a pena voltar".
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