Greve dos trabalhadores da saúde: calendário e impacto nos serviços
A greve dos trabalhadores da saúde está a provocar o cancelamento de atos assistenciais, incluindo consultas externas e cirurgias programadas, havendo relatos de marcações feitas há cerca de um ano que foram desmarcadas. A paralisação foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Serviços e de Entidades com Fins Públicos (STTS) e decorre na segunda e na terça-feira, entre as 00:00 e as 24:00.
Perto das 10:00, o presidente do STTS, Mário Rui, indicou que a greve registava uma adesão de 60% e salientou que, entre os serviços afetados, estão as consultas externas e as cirurgias programadas.
Utentes no Hospital de Santa Maria (Lisboa)
À saída do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Emília Alves, de 65 anos, descreveu o que viveu esta segunda-feira: "Eu tinha uma consulta de oftalmologia marcada há um ano e entretanto hoje cheguei cá e o médico não apareceu".
A utente contou ainda que aguardou cerca de uma hora e que não tem indicação de quando será reagendada a consulta. "Tirei um dia de férias para isto", lamentou.
Também Fernando Bernardes, de 78 anos, residente em Torres Vedras, deslocou-se ao Hospital de Santa Maria para realizar análises, mas acabou por não as conseguir fazer. "Eu tinha análises marcadas para as 08:57. Já passava da hora e disseram-me que estavam em greve e que não faziam análises", relatou.
Na terça-feira, Fernando Bernardes tenciona voltar a tentar realizar as análises, embora sem garantias, uma vez que a greve se prolonga até esse dia.
Fesap fala em pressão para impedir a greve na ULS Lisboa Ocidental
Apesar dos adiamentos de consultas e análises associados à greve, a dirigente sindical Cristina Guerreiro, da Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins públicos (Fesap), afirmou que existem auxiliares e técnicos de saúde a serem pressionados a trabalhar durante a paralisação.
De acordo com a dirigente, na Unidade Local de Saúde (ULS) Lisboa Ocidental uma "enfermeira-chefe está a impedir os auxiliares de fazerem greve", referindo que recebeu telefonemas a denunciar a situação.
Cristina Guerreiro, cuja federação integra o STTS, acrescentou que a mesma enfermeira-chefe da ULS Lisboa Ocidental também não estará a permitir que os enfermeiros adiram à greve.
"[A enfermeira chefe] diz que têm que ficar. Que têm que ficar, que as pessoas não podem ir embora. [Os funcionários] têm que fazer as coisas, isto é ridículo" e, na perspetiva da dirigente sindical, trata-se de uma imposição.
Segundo Cristina Guerreiro, os relatos de pressão sobre trabalhadores para comparecerem ao serviço referem-se ao Hospital Egas Moniz e ao Hospital de São Francisco Xavier, unidades integradas na ULS Lisboa Ocidental.
STTS denuncia ameaças de processos disciplinares e lembra reivindicações
Por seu lado, o presidente do STTS, Mário Rui, declarou que foram reportadas situações de ameaças de processos disciplinares a trabalhadores que pretendiam fazer greve, nomeadamente no Hospital de Braga, no Hospital de São Teotónio (Viseu) e no Hospital de São José (Lisboa).
"Fomos confrontados com algumas tentativas por parte das administrações e das chefias que estão a tentar desviar os trabalhadores da greve, com ameaças de processos disciplinares. Não os deixaram faltar ao serviço, ligaram-lhes para casa", relatou o dirigente sindical.
O responsável explicou que a greve, motivada pelo pagamento de horas extras e pela progressão nas carreiras, abrange todos os trabalhadores da saúde, incluindo médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos, auxiliares de saúde e assistentes operacionais.
Entretanto, para 12 de maio está convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) uma outra greve nacional, que abrangerá os setores público, privado e social, com o objetivo de exigir ao Governo que "resolva vários problemas" para dignificar a profissão.
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