Muitos alemães subestimam o quão cara pode sair uma herança - e, com um pouco de planeamento, é possível poupar um montante de cinco dígitos.
Receber uma casa por herança pode parecer uma sorte grande, mas pode transformar-se num encargo quando entra em cena o imposto sobre heranças. Quem organiza tudo com antecedência evita despesas desnecessárias para a família. E, mesmo quando o falecimento já ocorreu, ainda há algumas medidas que podem fazer diferença.
Quem, numa herança, tem mesmo de pagar imposto
O Estado não tributa todos os herdeiros da mesma forma. O valor a pagar depende sobretudo do grau de parentesco e do montante do património herdado. Há familiares que não pagam nada e outros que podem pagar muito.
Quem fica totalmente isento do imposto sobre heranças
Existem situações em que não há qualquer imposto a liquidar sobre a herança - mesmo quando estão em causa valores elevados.
- Cônjuge ou parceiro registado: quem é casado ou vive numa união registada herda, em regra, sem imposto. Isto aplica-se independentemente do valor da casa ou do apartamento herdado.
- Irmãos em casos especiais: irmãos e irmãs também podem herdar sem imposto quando
- viveram pelo menos cinco anos no mesmo agregado familiar que a pessoa falecida,
- são solteiros, viúvos, divorciados ou vivem separados e
- têm mais de 50 anos ou possuem uma incapacidade reconhecida.
Quem estiver entre os herdeiros totalmente isentos pode receber até uma casa avaliada em 250.000 euros sem pagar um cêntimo de imposto.
Quem tem de pagar imposto sobre heranças - e quais são os valores isentos
Para todos os restantes herdeiros, a regra é: primeiro aplica-se o valor isento e só depois se tributa o excedente. O montante isento varia consoante o parentesco.
- Filhos, pais (quando herdam dos filhos): 100.000 Euro de montante isento por pessoa
- Irmãos: 15.932 Euro de montante isento
- Sobrinhas e sobrinhos: 7.967 Euro de montante isento
- Parentes distantes, amigos, conhecidos: 1.594 Euro de montante isento
Apenas a parte que ultrapassa estes montantes é sujeita à taxa progressiva por escalões.
Exemplo: imposto sobre heranças numa casa avaliada em 250.000 euros
Imaginemos que um filho único herda sozinho uma casa com o valor de 250.000 Euro. Quanto sobra depois do imposto? Os números do exemplo francês ajudam a perceber a ordem de grandeza e o funcionamento do cálculo - e a lógica de montantes isentos e escalões também existe na Alemanha.
Passo 1: apurar o montante sujeito a imposto
O filho dispõe de um montante isento de 100.000 Euro.
- Valor da casa: 250.000 Euro
- menos montante isento: 100.000 Euro
- remanescente sujeito a imposto: 150.000 Euro
Só estes 150.000 Euro são tributados segundo um sistema progressivo.
Passo 2: aplicação exemplificativa de uma tabela progressiva
O montante tributável divide-se por escalões, e cada escalão tem a sua percentagem. No exemplo francês para herdeiros directos (filhos), de forma simplificada, funciona assim:
| Escalão de imposto | Montante | Taxa | Imposto |
|---|---|---|---|
| 1.º escalão | até 8.072 € | 5 % | 403,60 € |
| 2.º escalão | 8.073 € – 12.109 € | 10 % | 403,60 € |
| 3.º escalão | 12.110 € – 15.932 € | 15 % | 572,25 € |
| 4.º escalão | 15.933 € – 150.000 € | 20 % | 26.813,40 € |
Neste exemplo, o imposto sobre heranças fica em cerca de 28.193 Euro. Isto corresponde a pouco mais de onze por cento do valor da casa. Na Alemanha, as taxas variam de forma semelhante por classe fiscal e por valor, mas no topo podem ser substancialmente mais altas.
Quem herda uma casa não deve olhar apenas para o valor de mercado - a conta do imposto pode atingir dezenas de milhares de euros.
Como reduzir de forma significativa o imposto na herança
Ninguém encara o tema da morte com verdadeira tranquilidade, mas o planeamento atempado pode poupar muito dinheiro à família. Existem várias formas legais de baixar de forma clara o imposto sobre heranças.
1. Fazer doações faseadas do património
Uma das alavancas mais importantes são os montantes isentos que se renovam nas doações. Em muitos sistemas - como no caso de França - os pais podem transferir para os filhos, em determinados intervalos, valores elevados sem imposto. No exemplo, aplica-se o seguinte:
- Cada progenitor pode doar ao filho, aproximadamente de 15 em 15 anos, até 100.000 Euro sem imposto.
- Quem começa cedo e aproveita vários períodos transfere uma parte relevante do património ainda em vida - sem tributação.
Se, por exemplo, a estratégia começar a meio dos 50 anos, pode dar para utilizar dois, ou até três, ciclos de doações até ao fim da vida. Assim, a herança sujeita a imposto diminui bastante e, mais tarde, a casa fica muitas vezes abaixo dos limiares críticos.
2. Transferir o imóvel reservando o direito de habitação
Outra opção clássica é a transmissão da chamada “propriedade nua”. Na prática, isto significa:
- Os pais passam oficialmente a casa para o filho.
- Mantêm para si um direito de habitação vitalício ou o direito de arrendar.
Com isso, o valor fiscal da doação baixa, porque o Estado considera que os pais continuam a usufruir do imóvel. Quanto mais jovem for quem doa, maior tende a ser o valor do direito reservado e menor a base tributável.
No exemplo francês, conforme a idade, apenas 40 a 60 por cento do valor do imóvel é tributado. Se for feito a tempo, este passo pode evitar impostos elevados, mantendo-se, ainda assim, a possibilidade de continuar a viver na própria casa.
3. Seguro de vida como peça da herança
Um seguro de vida pode proteger os herdeiros de forma direccionada. Em França, é possível transferir até 152.500 Euro por beneficiário sem imposto sobre heranças. Na Alemanha existem estruturas semelhantes, sobretudo quando o contrato identifica claramente beneficiários e é celebrado com antecedência.
O ponto forte é a liquidez: com o seguro, os herdeiros conseguem suportar o pagamento do imposto sem terem de vender imediatamente a casa herdada.
Quem pretende deixar imóveis deve pensar também em reservas de dinheiro para os herdeiros - caso contrário, pode haver venda forçada.
Porque quase sempre compensa marcar uma reunião com o notário
Os exemplos deixam claro: montantes isentos, escalões e regras especiais tornam o tema complexo. Ao mesmo tempo, é precisamente aí que surgem oportunidades. Um notário experiente ou um consultor fiscal pode avaliar que combinação de doações, reserva de direito de habitação, seguro de vida e testamento faz mais sentido para a família.
Entre as questões mais importantes estão:
- Qual é o valor actual do imóvel - e como pode evoluir?
- Quantos filhos ou outros herdeiros existem?
- É necessário proteger de forma especial determinadas pessoas?
- Até que ponto é essencial manter a casa dentro da família?
O que muitos avaliam mal sobre o imposto sobre heranças em imóveis
Em sondagens, o imposto sobre heranças aparece entre os impostos menos populares. Ao mesmo tempo, quase metade das pessoas não recebe qualquer herança ao longo da vida - ou seja, muitos sobrestimam o risco pessoal. E quando há património, a decisão costuma ser tomada tarde demais.
Quem tem uma casa não deve confiar apenas em acordos informais de família. Sem regras claras, um único imóvel herdado pode colocar vários herdeiros numa situação difícil: imposto alto, falta de liquidez e conflitos sobre vender ou arrendar.
Aqui, o planeamento tem um efeito duplo: reduz a carga fiscal e corta pela raiz potenciais disputas. Um testamento bem redigido, doações registadas de forma correcta e uma avaliação realista das consequências fiscais retiram um enorme peso aos familiares mais tarde.
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