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Reino Unido falha metas de elétricos apesar do crescimento em 2024

Carro elétrico verde metálico em exposição, ligado a estação de carregamento num showroom moderno.

Em 2024, as vendas de veículos elétricos novos no Reino Unido voltaram a crescer e a sua quota de mercado subiu para 19,6%, depois de em 2023 se ter ficado pelos 16,3%. Trata-se de uma progressão de 21%, muito acima do aumento do mercado automóvel britânico no mesmo período (2,6% em 2024).

Ainda assim, o resultado não chegou para que os fabricantes cumprissem os objetivos definidos pelo Governo do Reino Unido - metas que a indústria considera serem “insustentáveis”.

Ao contrário da União Europeia, que trabalha com metas de redução das emissões de CO2, o Reino Unido optou por impor quotas de vendas para veículos elétricos. Em 2024, o objetivo era atingir 22%, mas o mercado ficou aquém: foram vendidos 382 mil elétricos, o que correspondeu a 19,6%.

Milhares de milhões em descontos

Dezembro de 2024 marcou um feito relevante: quase um em cada três carros novos vendidos no Reino Unido foi elétrico. De acordo com a SMMT (Sociedade de Fabricantes e Comerciantes Automóveis britânica), registaram-se cerca de 44 mil unidades, um aumento de 60% face a dezembro de 2023.

Este salto foi impulsionado por cortes agressivos nos preços por parte das marcas - numa altura em que não existem incentivos estatais à compra de elétricos. As estimativas apontam para mais de cinco mil milhões de euros já gastos em descontos, com o objetivo de acompanhar as metas impostas pelo governo e evitar a aplicação de multas.

Apesar de este desempenho ter colocado a quota mensal de dezembro em 31% - o valor mais elevado dos últimos dois anos -, não chegou para assegurar o cumprimento dos objetivos globais.

Gasolina lidera vendas

Os automóveis a gasolina continuam a dominar o mercado, com 52% de quota. Já os modelos a gasóleo representam apenas 6,3%. Em paralelo, os veículos eletrificados mantêm a tendência de crescimento: os híbridos e os híbridos plug-in avançaram 9,6% e 18%, respetivamente.

Importa recordar que, em caso de incumprimento, os construtores poderão ser penalizados em cerca de 18 150 euros por cada veículo vendido abaixo da quota estabelecida.

Neste contexto, o Governo do Reino Unido informou que está a reavaliar as regras e anunciou recentemente que daria oito semanas (até 28 de fevereiro) aos fabricantes automóveis para apresentarem as suas considerações sobre o mandato de Veículos Zero Emissões (ZEV).

“Graças à versatilidade do mandato ZEV, estamos confiantes de que todo o mercado cumprirá com as metas gerais e que nenhum fabricante precisará de pagar multas.”

Porta-voz do SMMT

Quota de elétricos para 2025

De acordo com o mandato, a quota de veículos elétricos a cumprir sobe para 28% este ano, aumentando de forma progressiva até 80% em 2030 no caso dos ligeiros de passageiros. Em 2035, todos os veículos novos vendidos no país terão de ser elétricos.

Mike Hawes, diretor-executivo da SMMT, alertou que este novo patamar será difícil de alcançar, uma vez que as soluções usadas até aqui - como os descontos - não são sustentáveis: “as novas metas vão exigir um aumento de 46% nas vendas de elétricos. É imperativo uma solução urgente”.

Fonte: Bloomberg e Independent

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