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Congresso dos EUA diz que o caça F-47 da USAF poderá não estar pronto antes de 2030

Piloto de combate junto a um caça F-35 estacionado numa pista de aeroporto ao entardecer.

Indícios de atraso no calendário de entregas do programa F-47

Um membro do Congresso dos Estados Unidos deixou recentemente no ar que o calendário de entregas esperado para o programa F-47 poderá estender-se mais do que o planeado. Segundo o deputado republicano pela Virgínia Rob Wittman, presidente do subcomité de Forças Aéreas e Terrestres Tácticas da Comissão de Serviços Armados da Câmara dos Representantes, o futuro caça de sexta geração da Força Aérea dos EUA (USAF) não deverá estar pronto antes de 2030.

As declarações foram proferidas na Conferência de Programas de Defesa da McAleese e, na prática, significam que a USAF pode ter de manter as suas plataformas actuais durante mais tempo do que previa. No caso concreto, Wittman apontou que a força terá de conservar a frota de F-22 como solução de transição até completar a mudança para a nova aeronave.

Meta de 2028 para os primeiros F-47 e a fasquia considerada ambiciosa

Convém lembrar que a intenção expressa pelas principais chefias da USAF passa por ter os primeiros F-47 disponíveis até 2028, para então iniciar os ensaios de voo correspondentes. Esse objectivo implicaria um prazo de três anos a contar da adjudicação do contrato à Boeing, um calendário que analistas norte-americanos descrevem como extremamente ambicioso.

Esses analistas traçam comparações com o programa F-35, que terá demorado cinco anos a atingir um marco equivalente. Ainda assim, a força mantém a expectativa de conseguir cumprir o horizonte de 2028, de acordo com declarações do general Dale White, que desempenha funções de supervisão do programa F-47.

Maior controlo da USAF sobre engenharia, dados e folhas de rota

Na mesma linha, o general White indicou que a USAF está a assumir um papel cada vez mais determinante na definição das folhas de rota do F-47, abrangendo calendários de concepção, desenvolvimento e posterior fabrico.

Recuperando as suas palavras: “Precisávamos que o governo voltasse à engenharia. Tínhamos subcontratado a engenharia durante muito tempo. E o facto de conseguirmos fazê-lo, de termos uma arquitectura de referência do governo em colaboração com a indústria, permitiu-nos ter uma concorrência mais contínua, evitando a dependência de um único fornecedor. Mas, ao mesmo tempo, agora temos um contrato que nos permite desenvolver as nossas capacidades.”

Uma visão semelhante foi defendida pelo então chefe do Estado-Maior da USAF, general David Allvin, que no último ano também afirmou perante congressistas que a Força Aérea estava a adoptar responsabilidades acrescidas nessas fases do programa. Tal abordagem, como foi explicado na altura, permitiria a Washington obter maior controlo e uma compreensão mais profunda do processo de desenvolvimento da plataforma - algo que, no caso do F-35, não terá acontecido na mesma medida, uma vez que a Lockheed Martin manteve direitos sobre dados essenciais do desenho.

O F-47 como substituto directo do F-22 e a escolha da Boeing

A USAF tem desenhado o F-47 - um caça de sexta geração - como substituto directo dos seus actuais caças mais capazes: os F-22 já referidos. Trata-se, por isso, de uma aeronave em desenvolvimento com o objectivo de chegar a uma plataforma de combate apta a operar em cenários de elevada exigência.

O trabalho está a ser conduzido em colaboração com a Boeing, escolhida em Março de 2025 como vencedora de uma competição altamente confidencial, na qual também participaram a Lockheed Martin e a Northrop Grumman.

Capacidades conhecidas: Mach 2+ e raio de combate acima de 1 000 milhas náuticas

Quanto às características do caça conhecidas até ao momento - sobretudo com base em dados divulgados pela própria USAF -, tem sido referido que o F-47 deverá conseguir velocidades superiores a Mach 2 e um raio de combate acima de 1 000 milhas náuticas (cerca de 1 852 km).

Este último ponto é particularmente relevante, já que a sua autonomia seria praticamente o dobro da dos F-22 que pretende substituir, em resultado dos novos motores XA103 que a Pratt & Whitney está a desenvolver.

Novo míssil em estudo para equipar o F-47

Em paralelo com o desenvolvimento da aeronave, a Força Aérea dos EUA tem dado sinais de procurar também um novo míssil, que se perfila como um dos primeiros armamentos do F-47. Embora se trate, por agora, de uma pesquisa preliminar de parceiros industriais, um documento publicado pelo Centro de Gestão do Ciclo de Vida da USAF, na Base Aérea de Eglin, indicou que o conceito seria semelhante ao SiAW.

De acordo com o mesmo documento, esse armamento deverá igualmente ser compatível com os bombardeiros B-21 e com os caças furtivos F-35.

Imagens usadas apenas a título ilustrativo

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