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Ghalibaf diz que o estreito de Ormuz não voltará ao que era e que o Irão o vai gerir

Militar em uniforme a observar vários navios no mar ao pôr do sol, com cartas náuticas e binóculos à frente.

Declarações de Mohammad Bagher Ghalibaf sobre o estreito de Ormuz

O negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o estreito de Ormuz não voltará ao que era antes do conflito com Israel e os Estados Unidos (EUA), assegurando que Teerão passará a gerir a via navegável.

"Todos devem saber que a administração do estreito de Ormuz nunca mais voltará a ser como era antes da guerra", declarou na segunda-feira Ghalibaf, citado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA.

Segundo o responsável, "É claro que as normas internacionais serão respeitadas, mas o Irão vai gerir o estreito de Ormuz", acrescentando ainda que lidera as negociações com os EUA com vista a pôr fim ao conflito no Médio Oriente.

Negociações com os EUA e contactos em Omã

As declarações do também presidente do parlamento do Irão surgiram poucas horas depois de Ghalibaf ter participado, na Suíça, numa primeira ronda de conversações com representantes dos EUA.

"Esta viagem rendeu conquistas significativas, particularmente no que diz respeito às discussões sobre o estreito, sobre o Líbano, a questão das sanções sobre o petróleo e o desbloqueio de ativos congelados", concluiu o negociador.

Num vídeo divulgado na plataforma de mensagens Telegram, Ghalibaf insistiu que "É claro que acreditamos que estamos apenas no início deste processo e devemos continuar os nossos esforços".

O negociador sustentou ainda que Israel se opõe "ferozmente a este processo negocial, que considera uma ameaça à sua própria existência e que procura sabotar".

Na terça-feira, Mohammad Bagher Ghalibaf e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, estiveram em Mascate, capital de Omã, tendo o estreito de Ormuz como um dos temas em agenda.

Entretanto, Abbas Araghchi reuniu-se com o seu homólogo de Omã, Badr al-Busaidi, que, de acordo com uma mensagem publicada nas redes sociais, defendeu a navegação "segura e sem custos" através do estreito de Ormuz.

Tráfego marítimo no estreito de Ormuz

Ao fim da tarde de segunda-feira no Irão, a plataforma de rastreio marítimo Kpler já contabilizava 26 trânsitos de navios cargueiros.

Dados de navegação da AXSMarine apontam igualmente para pelo menos 26 embarcações comerciais em trânsito pelo estreito até à manhã de segunda-feira, incluindo porta-contentores.

Este volume aproxima-se do que foi registado na quinta-feira e no sábado, após a assinatura oficial do memorando, quando o tráfego de navios comerciais rondava os 30 por dia.

O estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada, na sequência de um acordo entre o Irão e os Estados Unidos destinado a pôr fim à guerra no Médio Oriente, mas Teerão anunciou no sábado um novo bloqueio, em resposta aos ataques israelitas no Líbano.

Desde então, Teerão e Washington acordaram mecanismos para terminar os combates no Líbano e garantir a segurança do estreito de Ormuz.

Nesta fase, de acordo com os mediadores do Qatar e do Paquistão, as duas partes aceitaram criar uma linha de contacto para "evitar incidentes e problemas de comunicação".

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