Do privilégio ao confronto político
Criado no seio do regime, foi o rap que levou Luaty Beirão a descobrir uma Angola que o seu privilégio nunca lhe tinha deixado ver. Quando ganhou consciência do país onde vivia, passou a opor-se de forma aberta e direta a José Eduardo dos Santos - e esse confronto acabou por o conduzir à prisão, onde, há 11 anos, esteve detido com mais de 14 companheiros.
Prisão, companheiros e 36 dias de greve de fome
Detido por duas vezes, Luaty cumpriu na cadeia 36 dias de greve de fome, recusando que a sua luta caísse no esquecimento.
Angola, hoje, está encalhada e num estado de desespero. Basta surgir um demagogo agressivo como Venâncio Mondlane para que rebentem protestos e episódios de violência que - tal como aconteceu em 2025 com a greve dos candongueiros - ganhem uma escala semelhante à que vimos em Moçambique.
A geração que pode mudar Angola
A esperança de Angola está numa geração que já não é definida pelas clivagens da guerra civil e que deixou de aceitar a pesada herança colonial como justificação para os erros de uma elite que, na prática, reproduziu a opressão e a exploração do colonizador.
Neste momento, pode ouvir a conversa que Daniel Oliveira teve com Luaty, em Luanda. A luta dele - e a dos seus companheiros - mantém-se. Corajosa, como sempre.
Uma conversa com contraditório
Isto é mais do que uma entrevista e menos do que um debate. É uma conversa com contraditório em que, no final, é mesmo a opinião do convidado que conta. Quase sempre sobre política, por vezes sobre coisas realmente interessantes.
Um projeto jornalístico de Daniel Oliveira e João Martins. Imagem gráfica de Vera Tavares com Tiago Pereira Santos e música de Mário Laginha. Subscreva (no Spotify, Apple e Google) e oiça mais episódios:
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