Solverde e Barrière: mudança nas concessões dos casinos
Esta sexta-feira marca o arranque das novas concessões do grupo Solverde nos casinos de Espinho, Portimão, Alvor e Monte Gordo. Em paralelo, o grupo francês Barrière passa a assumir oficialmente a operação na Póvoa de Varzim, na sequência de um processo particularmente exigente que chegou a mobilizar a atenção de vários grupos estrangeiros interessados no jogo em Portugal, mas que acabou por deixar os dois candidatos sem concorrência.
Concurso público e um sector habituado a fronteiras estáveis
Num sector em que a exploração tende a ser estável e em que, historicamente, as empresas respeitam as áreas atribuídas - evitando disputar concessões que já estavam nas mãos de concorrentes -, este concurso destacou-se pelo interesse que gerou.
O procedimento foi lançado já depois da polémica em torno da concessão de Espinho, associada ao caso Spinumviva. Esse episódio acabou por precipitar a queda do primeiro Governo liderado por Luís Montenegro, em março de 2025, e conduziu a eleições antecipadas. Nessa altura, a Solverde anunciou o fim do contrato de prestação de serviços com a empresa que pertenceu ao primeiro-ministro, “em nome da defesa do bom nome e reputação”.
Prorrogação dos contratos e falta de detalhes sobre os novos termos
Entretanto, o Governo viu-se obrigado a estender por mais quatro meses os contratos em vigor, por não ter concluído atempadamente os concursos públicos - apesar de essa execução ter sido assumida pelo próprio executivo.
Para já, os termos concretos dos novos contratos continuam por divulgar. Segundo uma fonte oficial da Solverde, citada pelo Expresso, apenas se sabe que “serão oportunamente tornados públicos através de publicação oficial no Diário da República”.
Valor potencial para o Estado e concorrência que ficou pelo caminho
O concurso incidiu sobre concessões com capacidade de proporcionar ao Estado um encaixe até €1,5 mil milhões ao longo de 15 anos. Fontes ligadas ao processo referiram ao Expresso que existiam vários interessados: a Solverde - que detinha as concessões de Espinho e do Algarve - e a Estoril Sol, na Póvoa de Varzim, enfrentavam a concorrência dos franceses da Barrière.
Além destes, surgiram ainda os espanhóis da Cirsa (já presentes na Figueira da Foz) e da Comar, bem como os canadianos da Mercan.
No desfecho do processo, a Solverde, pertencente à família Violas, acabou por ficar sem concorrentes nas concessões de Espinho e do Algarve. Já na Póvoa de Varzim, a desistência da Varzim Sol abriu caminho à entrada da Barrière, com a operação a ser suspensa durante 24 horas, na quinta-feira, para a transição entre concessionários.
Trabalhadores: carta de boas-vindas e reivindicações
Do lado laboral, o Sindicato dos Empregados de Banca de Casino, através do seu presidente Luís Mourão, indicou que “já enviou carta de boas-vindas aos concessionários”. O dirigente acrescentou que está “a ultimar o caderno reivindicativo do sector, designadamente aumentos salariais e redução de alguns horários”.
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