Os trabalhadores da Long Island Rail Road (LIRR), em Nova Iorque, avançaram para a greve, travando a operação do mais movimentado serviço ferroviário suburbano da América do Norte, segundo comunicaram responsáveis sindicais.
Greve na Long Island Rail Road (LIRR) após impasse negocial
De acordo com a Associated Press, a paralisação foi declarada depois de as conversações com a Autoridade Metropolitana de Transportes terem terminado, na sexta-feira, sem que fosse alcançado um novo contrato.
Os cinco sindicatos envolvidos representam cerca de metade dos sete mil trabalhadores do sistema - entre maquinistas, operadores de locomotivas e sinalizadores - e só estavam legalmente habilitados a iniciar a greve a partir das 00:01 de hoje.
O vice-presidente nacional da Brotherhood of Locomotive Engineers and Trainmen, Kevin Sexton, referiu que não ficou marcada qualquer nova ronda de negociações.
"Estamos muito distantes neste momento. Lamentamos sinceramente que estejamos nesta situação", afirmou.
Pela parte da Autoridade Metropolitana de Transportes, o presidente Janno Lieber considerou que era claro que os sindicatos tencionavam sempre avançar para a greve, uma vez que, segundo disse, a empresa "concedeu ao sindicato tudo o que este pediu em termos salariais".
A governadora Kathy Hochul apelou aos utilizadores do LIRR para trabalharem a partir de casa durante a greve, apesar de a operadora de transportes prever disponibilizar autocarros de ligação gratuitos, embora em número limitado.
"Os passageiros estão a enfrentar perturbações desnecessárias e milhares de trabalhadores sindicalizados do LIRR estão a ser forçados a ficar sem salário devido a decisões tomadas por um pequeno grupo de líderes sindicais", afirmou Hochul.
Consequências para passageiros, trânsito e lazer
Com a interrupção do serviço, as cerca de 250 mil pessoas que recorrem ao LIRR em cada dia útil terão de procurar alternativas para se deslocarem dos subúrbios de Long Island para a cidade de Nova Iorque, ou então optar por trabalhar remotamente.
O resultado deverá refletir-se em mais viaturas nas autoestradas já saturadas, com deslocações mais demoradas para chegar ao emprego.
"Vai ser um verdadeiro pesadelo tentar chegar lá", disse Rob Udle, um eletricista que utiliza o LIRR, pelo menos, cinco dias por semana para se deslocar a Manhattan.
A greve também pode complicar os planos de alguns adeptos que queiram ir a Manhattan acompanhar a fase final dos New York Knicks da NBA, ou assistir ao duelo de basebol entre os rivais New York Yankees e Mets, do outro lado da cidade, este fim de semana.
Susanne Alberto, uma 'personal trainer' de Long Island, indicou que já combinou com os seus clientes de Manhattan a realização de sessões virtuais caso a paralisação se mantenha.
Salários e prémios de saúde no centro do conflito
As duas partes reconheceram que a divergência se concentra nos aumentos salariais e nos prémios associados aos planos de saúde.
Na sexta-feira à noite não foram tornadas públicas as posições exatas de cada lado, mas o sindicato entrou nas negociações a exigir um aumento total de 16 % ao longo de quatro anos, defendendo que esse valor era necessário para que os trabalhadores conseguissem acompanhar a inflação.
A Autoridade Metropolitana de Transportes sustentou que as exigências iniciais do sindicato acabariam por implicar subidas nas tarifas. Embora tenha aceitado as pretensões salariais, a empresa propôs que os novos contratados da LIRR passassem a suportar prémios de saúde mais elevados, de forma a compensar parte dos custos - proposta que o sindicato recusou.
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