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Vozes femininas estreiam-se na Serenata Monumental da Queima das Fitas de Coimbra na Sé Velha com limite de 4000

Grupo coral vestindo capas pretas a cantar em frente a uma igreja antiga, com público a assistir ao ar livre.

Pela primeira vez na história da Serenata Monumental da Queima das Fitas de Coimbra, o alinhamento da cerimónia passou a incluir vozes femininas. Na madrugada desta sexta-feira, milhares de estudantes juntaram-se no Largo da Sé Velha para assistir a um dos momentos mais emblemáticos da tradição académica coimbrã, numa edição marcada também por um limite de lotação de 4000 pessoas e por um dispositivo de segurança reforçado. Ainda assim, houve quem tentasse garantir lugar desde a manhã.

Acesso limitado e horas de espera na Sé Velha

Às 10.30 horas de quinta-feira, Úrsula Ventura, finalista do curso de Estudos Artísticos, já se encontrava à espera na única entrada disponível para a Serenata Monumental. Só mais tarde, por volta das 21 horas, começou a entrega das 4000 pulseiras que permitiam aceder ao recinto.

"As expectativas são altas. O facto de ser a minha última serenata é muito importante. É importante valorizar o papel que a Secção de Fado tem feito e valorizar a Canção de Coimbra", sublinha a estudante.

Também Francisca Monteiro, finalista de Engenharia Biomédica, conseguiu, depois de muitas horas de espera, assegurar um lugar na escadaria da Sé Velha. Para a futura engenheira, viver a serenata naquele cenário simbólico é "o culminar de um percurso" académico. Por isso, lamenta o número máximo definido para o espaço, embora admita que a medida é necessária para garantir segurança a todos os presentes.

Transmissão com ecrãs na Porta Férrea

Para quem não conseguiu entrar no Largo da Sé Velha, foram montados dois ecrãs de grandes dimensões junto à Porta Férrea, permitindo acompanhar a cerimónia em direto. O local acabou por ficar completamente cheio, reunindo centenas de pessoas que procuravam assistir a um dos momentos mais simbólicos da academia de Coimbra.

Momento "muito tocante e emocional"

As vozes femininas já tinham sido ouvidas na Serenata da Latada, em outubro de 2025, mas esta foi a primeira vez que passaram a integrar, de forma oficial, a Serenata Monumental.

Catarina Fernandes, finalista de Medicina, mostrou entusiasmo perante o carácter histórico do momento. "Considero um momento muito marcante e importante para a nossa tradição, não só em Coimbra, mas também para Portugal", frisa. Na sua perspetiva, a inclusão era necessária e a exclusão não tinha justificação, atendendo "o número elevado de mulheres no Ensino Superior e o importante papel que representam para a Academia".

A serenata começou à meia-noite em ponto, num ambiente de silêncio absoluto entre os estudantes que preenchiam por completo o recinto da Sé Velha. Ao longo da noite, atuaram cinco grupos da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (AAC), perante milhares de estudantes reunidos para aquele que é um dos momentos mais representativos da vida académica coimbrã.

Com a pasta e as fitas ao peito, os estudantes emocionaram-se ao ouvir temas como Canção de Embalar, de Zeca Afonso, a tradicional Balada da Despedida, de Fernando Machado Soares, Quando os Sinos Dobram, de Eduardo Tavares de Melo, e Canção de Quem Fica, de Constança Peixoto e João Afonso Sousa, entre outras músicas do repertório académico.

Para Francisco Soares, estudante de Medicina, a serenata "superou todas as expectativas" e apresentou "uma grande qualidade". Já Matilde Abreu, estudante de Direito, classifica o espetáculo como "muito tocante e emocional" e salienta o repertório escolhido, elogiando a Secção de Fado da AAC por "inovar ao trazer temas novos".

Sé continuará a acolher a serenata

A presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, acompanhou a cerimónia ao lado dos estudantes e realçou as condições de segurança e de organização asseguradas para um evento desta dimensão.

A organização "é a prova de que Coimbra recebe bem os estudantes" e recordou que a celebração acontece na Alta de Coimbra, classificada como Património Mundial da UNESCO, referiu a socialista, destacando a presença da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Proteção Civil, de modo a garantir que "um evento muito planeado" decorria em segurança para todos os participantes.

Ana Abrunhosa reforçou ainda a importância de preservar e viver a Sé Velha enquanto espaço patrimonial e simbólico da cidade, sublinhando a intenção de continuar a ver a Serenata Monumental realizar-se naquele local histórico.

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