Os temporais do início do ano deixaram danos visíveis no litoral de Ovar e o presidente da câmara reconhece que a época balnear será positiva, ainda que diferente de outros anos, após um conjunto de obras e de alimentação artificial de areia para garantir condições mínimas.
Ovar e a época balnear após as tempestades
"É tudo a correr atrás do tempo. Estou convencido que vamos conseguir. Não vai ser uma época balnear igual às anteriores, mas vai ser uma boa época balnear", afirma à Lusa o autarca Domingos Silva (PSD).
O presidente de Ovar, no distrito de Aveiro, recorda que a primeira intervenção teve como objectivo "tentar salvar a época balnear", seguindo-se depois a "reposição" da normalidade possível ao longo da costa do concelho.
Relatório da APA: danos e intervenções previstas
Num relatório sobre as ocorrências associadas às tempestades de janeiro e fevereiro - Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta -, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) definiu intervenções urgentes, bem como medidas de curto e médio prazo, e fez o levantamento dos estragos em toda a costa.
Nesse balanço, Ovar surge com 204 dos 571 danos reportados, e é identificado como o município "mais afetado". O destaque recai desde logo na praia de Maceda, onde se registou um recuo "na ordem dos 20 metros", de acordo com o presidente da APA, José Pimenta Machado.
Para Maceda está ainda prevista uma reposição de areias "de escala muito grande, com 3,5 milhões de metros cúbicos", que Domingos Silva espera ver começar "em 2028 ou 2029, o mais tardar".
Obras no terreno e reforço do areal em várias praias
Segundo Domingos Silva, como não houve dispensa do parecer das entidades que fiscalizam este tipo de operações, o "horizonte temporal" das obras acabou por se estender, e "não foi fácil arranjar empreiteiros disponíveis" para executar a fase urgente, com um custo estimado em perto de 375 mil euros.
"As obras [de reposição de areias] estão já há cerca de duas semanas no terreno (...) Seria para o início da época balnear, que ocorre aqui na nossa zona a 13 de junho, mas admito que se prolongue, até para que as coisas fiquem o melhor possível, até ao final do mês de junho", admite.
O autarca explica que, na praia do Torrão do Lameiro, "vai haver reperfilamento do areal, e também em Esmoriz", onde os trabalhos já arrancaram. Quanto à praia do Furadouro, foi necessário remediar a intervenção que já decorria antes das tempestades - afectada entretanto pelos temporais -, mas que, segundo o presidente, deverá voltar a ficar reposta até ao final do ano.
Da lista da APA constava, entretanto, a reposição de areias em cinco praias do concelho, para garantir a possibilidade de ir a banhos, bem como a reparação de estruturas, defesas aderentes, esporões, passadiços e outras infraestruturas de apoio à praia, que estão actualmente em execução.
Domingos Silva diz nunca ter visto "tanta celeridade como esta", ainda que não ao nível pretendido e com "questões a afinar", considerando, apesar disso, que Ovar ficará com "praias requalificadas", embora a reposição sedimentar de grande escala só aconteça mais tarde.
"É muita areia, vamos ter aqui praias novas, não só pela fruição mas pela defesa do território. Aqui em Maceda, em particular, temos um aterro sanitário, selado desde os finais dos anos 1990, e está controlado. Não está em perigo "per si", mas está a 550 metros do mar. Já esteve a 700, o que significa que o mar está a ganhar terreno, e de forma muito rápida", alerta.
O autarca diz já ter alertado para a hipótese de, dentro de várias décadas, Portugal poder enfrentar "um desastre ambiental", começando pela necessidade de defesa do próprio areal e avançando, pelo menos nesta fase, com "monitorização constante".
Espinho: menor impacto e intervenções até 2027
O quadro imediato foi menos exigente em Espinho, onde não se verificou "necessidade extraordinária de repor areia nas praias", apesar de se tratar de um concelho amplamente associado ao turismo balnear, como refere à Lusa o presidente Jorge Ratola (PSD).
Neste município do distrito de Aveiro, a época de banhos abriu já a 1 de junho, com o objectivo de "reforçar a atividade turística do concelho". Para mitigar os efeitos dos temporais dos primeiros meses do ano, o concelho preparou-se com uma duna artificial na praia e com alguns sacos na zona dos pescadores.
"Atrasou-nos o planeamento. O impacto na nossa costa não foi muito relevante, embora tenhamos perdido um mês com isso. (...) As praias estão preparadas, os equipamentos instalados para as atividades", assume.
De acordo com Jorge Ratola, a APA já está a intervir num dos esporões e, posteriormente, avançará com mais duas acções: uma junto à capela de Paramos e outra na baía.
Estas intervenções integram a lista de curto prazo do relatório da APA - a concluir até final de 2027 -, que prevê ainda uma intervenção de médio prazo (a partir de 2028) numa estrutura aderente em Silvalde.
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