Desde março de 2026, está em vigor em Inglaterra e no País de Gales uma versão mais dura da lei relativa a cães, com impacto real em quem passeia no campo. Para quem tem um cão que costuma andar solto, vale a pena redobrar a atenção - porque um simples disparo na direcção de uma pastagem pode acabar em problemas e sair caro.
O que muda agora ao passear o cão no meio rural
O Governo britânico reformulou profundamente um diploma antigo de 1953 através do “Dogs (Protection of Livestock) (Amendment) Act 2025”. A intenção é clara: reforçar a protecção de animais de criação - como ovelhas, bovinos ou cabras - e reduzir conflitos recorrentes entre agricultores e donos de cães.
"A principal novidade é esta: o cão não precisa de morder um animal para haver problemas - basta assustar ou perseguir animais de criação."
A aplicação abrange todo o território de Inglaterra e País de Gales e, na prática, atinge sobretudo passeios em trilhos rurais, caminhos pedestres e zonas junto a campos agrícolas. Quem até aqui deixava o cão correr com tranquilidade vai ter de reavaliar a rotina.
Não é preciso mordida: perseguir e assustar já é punível
Para muitos donos de cães, este é o ponto decisivo: legalmente, um “ataque” pode existir mesmo sem contacto físico. Basta que o cão:
- persiga ovelhas, bovinos, cabras ou outros animais de criação;
- se enfie numa manada e provoque pânico;
- crie stress e risco de lesões ao ladrar ou correr atrás dos animais.
O motivo está nos relatos acumulados ao longo de anos: agricultores descrevem ovelhas prenhas que perdem as crias por pânico, ou animais que se magoam ao fugir, ficando presos em vedações, valas ou terrenos irregulares - mesmo quando não houve qualquer mordida. É precisamente esse tipo de cenário que a alteração legislativa passa a visar.
Importa sublinhar que as regras não se limitam ao interior da pastagem. Caminhos e estradas que passam junto a campos também entram no enquadramento. Assim, se o cão sai do trilho público, atravessa uma vedação e entra no terreno, não é tratado como um “incidente na margem”, mas sim como um episódio plenamente abrangido pela lei.
Que animais passam a estar protegidos
A lista de espécies abrangidas foi alargada de forma significativa. Para além dos animais de criação mais comuns, como:
- ovelhas,
- bovinos,
- cabras,
- suínos,
- aves de capoeira,
passam também a estar incluídos os chamados camelídeos, como:
- lamas,
- alpacas.
Em Inglaterra e no País de Gales, explorações com alpacas e passeios com lamas ganharam popularidade nos últimos anos. Quem circula com um cão perto destes recintos tem ainda menos margem para “arriscar” e deixar a trela no bolso.
Multas sem tecto máximo: até onde pode ir a penalização
Até aqui, a coima máxima por “perturbar” animais de criação era de 1.000 libras. Esse limite foi eliminado. Em teoria, o tribunal pode agora fixar uma multa sem um valor máximo pré-definido - de acordo com a gravidade do caso e os danos causados.
"A multa já não tem um limite máximo fixo. Quem não controla o cão pode, num caso sério, arriscar muito em termos financeiros."
Além disso, os tribunais podem obrigar o dono a suportar despesas quando as autoridades têm de capturar o animal e mantê-lo sob custódia. Isto pode incluir transporte, alojamento, eventuais exames veterinários e outras medidas associadas.
Mais poderes para a polícia e autoridades
A nova versão da lei reforça os instrumentos de intervenção da polícia e das entidades fiscalizadoras. Passam a poder:
- entrar em propriedades para recolher indícios;
- apreender cães quando representem perigo para animais de criação;
- recolher amostras, por exemplo DNA, para esclarecer ocorrências.
A mensagem é inequívoca: o Estado deixa de tratar ataques e perseguições a animais de criação como um “inevitável problema do campo” e assume-os como um ilícito com peso.
O que isto significa, na prática, para famílias com cão
O Governo sublinha que não pretende impedir as pessoas de passearem no meio rural. Donos de cães continuam a poder usar caminhos, parques nacionais e zonas costeiras. O que muda, e muito, são as regras de segurança e responsabilidade.
Para reduzir riscos, há princípios simples que fazem diferença:
- Perto de pastagens, manter o cão sempre com trela.
- Se a situação no limite do campo não for clara: mais vale prevenir - pôr a trela.
- Confiar no “obedece sempre”? Só se o recall funcionar mesmo sob stress.
- Uma trela curta é preferível a uma discussão longa com a polícia ou com o agricultor.
"Até o cão mais bem comportado pode, diante de uma manada, entrar de repente em modo de caça - o instinto muitas vezes supera a educação em segundos."
Em particular, famílias com crianças por vezes não se apercebem de quão depressa um “só para ir ver” se transforma numa situação séria. Basta o cão dar alguns saltos mais entusiasmados, uma ovelha arrancar a correr e a manada seguir - e, a partir daí, já existe um caso dentro do âmbito da lei.
Nova cláusula de protecção para donos responsáveis
Há, no entanto, um ponto que tende a tranquilizar quem cumpre regras: a lei introduz uma espécie de salvaguarda quando o cão circula sem o consentimento do dono. Se, no momento do incidente, o animal estiver fora do controlo do proprietário sem autorização - por exemplo, por ter sido roubado ou levado por outra pessoa - o dono não passa automaticamente a ser responsabilizado.
A lógica é evitar que terceiros causem danos com um cão alheio e que o proprietário tenha de “pagar a factura” sem culpa. Ainda assim, quem deixa o cão frequentemente sem controlo ou o entrega deliberadamente a terceiros dificilmente conseguirá apoiar-se nesta defesa.
Porque é que o Reino Unido está a apertar as regras
Agricultores em Inglaterra e no País de Gales queixam-se há anos do aumento de ocorrências com cães em zonas de pasto. Não se trata apenas de ataques directos: os prejuízos indirectos contam (e muito):
- animais mortos ou feridos,
- custos veterinários,
- quebras de produção, por exemplo por morte de cordeiros,
- medidas extra de segurança como vedações e sinalização.
Para muitas explorações - sobretudo pequenos negócios familiares - estes episódios podem rapidamente tornar-se um risco sério para a viabilidade. Por isso, a nova lei aposta na dissuasão: sabendo que, em teoria, pode existir uma multa pesada de cinco dígitos, muita gente pensará duas vezes antes de deixar o cão correr solto junto a uma pastagem.
O que os donos de cães alemães podem aprender com o exemplo britânico
Também no espaço de língua alemã há conflitos regulares entre donos de cães e agricultores. As leis são diferentes, mas a mensagem vinda de Inglaterra e País de Gales é fácil de transpor: respeitar animais de criação não é um “extra simpático” - é uma obrigação.
Algumas lições práticas que se aplicam sem dificuldade à Alemanha, Áustria ou Suíça:
- Tratar sempre as vedações como limite claro - mesmo quando parecem baixas.
- Pôr o cão com trela assim que houver ovelhas, vacas ou cavalos à vista.
- Treinar com regularidade o recall e o comando de paragem, e não apenas em parques caninos.
- Explicar às crianças que “ir ver os cordeiros” com um cão solto é proibido.
Com estes cuidados, continua a ser possível desfrutar de caminhadas na natureza com tranquilidade - apenas com mais responsabilidade. A regra é simples: quem respeita os animais de criação e mantém o cão controlado evita conflitos, seja com agricultores, seja com a polícia - em Inglaterra, no País de Gales ou no percurso habitual perto de casa.
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