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Euro 7 volta a ser adiada para 20 de julho de 2022

Carro desportivo elétrico azul numa exposição moderna com vidros grandes e iluminação natural.

Em 2020 começaram a ser conhecidos os primeiros traços da Euro 7, a futura norma de emissões aplicável aos motores de combustão, que define limites para os poluentes expelidos pelo escape, como partículas, hidrocarbonetos e monóxido de carbono.

Euro 7 e os motores de combustão: o que está em causa

Quando se percebeu o nível de exigência previsto, a leitura feita pela indústria e por vários analistas foi inequívoca: a Euro 7 foi encarada como uma verdadeira sentença de morte para os motores de combustão interna. Na prática, poderia empurrar estes motores para fora de muitos modelos dos segmentos mais populares (utilitários e pequenos familiares).

O problema não seria apenas a dificuldade técnica de cumprir a norma. Os custos elevados associados a essa conformidade tenderiam a colocar os automóveis com motor de combustão ao mesmo nível de preço dos elétricos a 100%, que são, por norma, mais caros.

Se a Euro 7 entrasse em vigor em 2025 - como então parecia estar em cima da mesa - poderia acelerar o desaparecimento dos motores de combustão, sobretudo tendo em conta o calendário da União Europeia, que propôs uma redução de 100% das emissões de CO2 (o que, na prática, dita o fim dos motores de combustão) para os veículos novos a partir de 2035.

Calendário da Euro 7 e sucessivos adiamentos

Perante este cenário, houve um recuo: a AGVES (Advisory Group on Vehicle Emission Standards) apresentou à Comissão Europeia um conjunto revisto de recomendações, mais moderado, reconhecendo e aceitando os limites do que é tecnicamente exequível.

Depois disso, foi comunicado que a proposta final da Euro 7 seria divulgada no último trimestre de 2021. Contudo, tal não aconteceu e a apresentação foi empurrada para 5 de abril de 2022.

Ainda assim, também não será nessa data que se ficará a conhecer o conteúdo da proposta, tendo em conta que a sua publicação foi novamente adiada, apontando agora para o dia 20 de julho de 2022.

Adiamento está a gerar apreensão

Uma porta-voz da Comissão Europeia explicou o adiamento à Automotive News Europe: “É importante garantir uma preparação compreensiva desta proposta”. Referiu também que esta é a primeira vez que a Comissão procura regulamentar, ao mesmo tempo, veículos ligeiros de passageiros e mercadorias, bem como veículos pesados.

A sucessão de adiamentos está a alimentar inquietação entre todas as partes envolvidas, que já alertam para potenciais efeitos indesejáveis.

Do lado das associações ambientais, existe o receio de que empurrar a publicação da proposta da Euro 7 acabe igualmente por atrasar a entrada em vigor da norma para lá de 2025, colocando em risco as metas do plano “Green Deal” da União Europeia para descarbonizar a economia.

O grupo Transport & Environment afirma não ver motivo para este adiamento, uma vez que o “trabalho preparatório” já estaria concluído, apontando a pressão da indústria automóvel como fator determinante.

Em sentido diferente, mas também de forma crítica, surge a ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis). A associação contava com um entendimento célere entre os legisladores em 2022, de modo a dar à “indústria clareza e o tempo necessário para futuros planos e mudanças na engenharia”.

A ACEA já tinha indicado, em junho de 2021, que esperava ver a Euro 7 aplicada a partir de 1 de setembro de 2025, garantindo quatro anos de preparação ao setor, com base no calendário inicial que apontava a publicação da proposta final para o último trimestre de 2021.

Com a divulgação da proposta final da Euro 7 agora empurrada para o final de julho, a associação avisa que esse prazo poderá deixar de ser realista.

Recorde-se que a Euro 6 foi introduzida em setembro de 2014, mas recebeu várias atualizações. A mais recente, a Euro 6D, entrou em vigor em janeiro de 2020 para novos modelos e em janeiro de 2021 para todos os veículos novos vendidos na União Europeia.

Fonte: Automotive News Europe


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