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Cerca de 500 subscritores pedem à ONU e a António Guterres a proibição da caça de troféus

Grupo de jovens mostra fotos de elefantes e lista de caça, com arma antiga sobre mesa, em protesto ambiental.

Paul McCartney, Ricky Gervais e Priscilla Presley (filha de Elvis Presley) surgem entre cerca de 500 subscritores de uma iniciativa que reclama a proibição da caça de animais para fins de troféu. A campanha pede ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que impulsione o arranque de negociações com vista a uma convenção global sobre a matéria.

Pedido à ONU para uma convenção mundial sobre a caça de troféus

A iniciativa apela ainda a que a Assembleia Geral da ONU aprove uma resolução de apoio à Declaração. O lançamento oficial está marcado para quarta-feira, com um pedido direto ao secretário-geral para que "começar negociações para a realização de uma convenção" à escala mundial.

A “Declaração pela Abolição dos Troféus de Caça” e o legado de Jane Goodall

A campanha em torno de uma "Declaração pela Abolição dos Troféus de Caça" foi preparada em colaboração com a primatóloga Jane Goodall pouco antes da sua morte, no ano passado. O texto foi escrito por Jane Goodall - que morreu aos 91 anos, a 1 de outubro de 2025 - e pelo ativista luso-britânico Eduardo Gonçalves, fundador da campanha Fim aos Troféus de Caça no Reino Unido.

"O desejo de Jane Goodall era que a caça de animais como troféus fosse abolida, pelo que esta campanha se destina, em grande medida, a ser lançada em sua memória e a dar continuidade ao seu legado", afirmou Eduardo Gonçalves em conferência de imprensa.

Números e espécies mais visadas: CITES, Canadá e elefantes africanos

Segundo Eduardo Gonçalves, em 2024 circularam cerca de 32 mil troféus de animais abrangidos pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).

Entre os animais mais procurados para troféus destacam-se os ursos, sobretudo ursos pretos, abatidos maioritariamente no Canadá, apontado como o maior exportador mundial de troféus de caça.

"O Canadá também permite a caça aos ursos polares por desporto e é o único país a fazê-lo, uma vez que tanto os EUA como a Rússia há muito que proibiram a caça ao urso polar nos seus territórios", referiu o ativista.

A seguir, a segunda espécie mais abatida para troféus são os macacos, com exceção de gorilas e chimpanzés, que se encontram protegidos.

Embora figurem em terceiro lugar entre as espécies mais desejadas pelos caçadores de animais como troféus, os elefantes africanos são os que enfrentam maior ameaça associada a esta prática, por estarem classificados "em risco" ou "em risco crítico" de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

Eduardo Gonçalves acrescentou que os principais prevaricadores são norte-americanos e europeus.

"A caça aos troféus é simplesmente cruel, arcaica", disse o luso-britânico, defendendo existirem "formas alternativas viáveis de turismo de vida selvagem, tais como os safaris fotográficos, que são muito mais eficazes a apoiar e a gerar receitas para a conservação, além de criarem empregos e prosperidade em comunidades rurais frequentemente desfavorecidas".

Cerca de 500 subscritores e nomes conhecidos

De acordo com a campanha, o apelo reúne cerca de 500 subscritores, entre figuras públicas, especialistas e organizações.

Entre os nomes mais mediáticos contam-se ainda o Dalai Lama, a modelo Kate Moss, os músicos Liam Gallagher e Annie Lennox e os atores Michael Palin, Michael Caine e Pierce Brosnan.

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