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Pais e filhos na Fórmula 1: famílias que marcaram a categoria rainha

Carro de Fórmula 1 branco e vermelho exposto em museu com capacetes à parede ao fundo.

O calendário quis que a primeira corrida da temporada de Fórmula 1 coincidisse com o fim de semana do «Dia do Pai». Não há melhor pretexto para juntar pais e filhos que foram - ou ainda são - pilotos e que passaram pela categoria rainha do automobilismo.

Ao longo de toda a história da Fórmula 1, contam-se mais de 700 pilotos que alinharam em, pelo menos, um Grande Prémio. Ainda assim, só 30 desses nomes encaixam na condição de serem pai e filho.

Há casos em que ambos ficaram no anonimato, outros em que o pai somou muito mais feitos do que o filho, e também situações em que foi precisamente o contrário. E, em raras ocasiões, pai e filho conseguiram mesmo colocar o apelido na lista de campeões do mundo. Vamos a eles.

Os Schumacher

O nome mais recente desta lista é Mick Schumacher. Filho do sete vezes campeão do mundo de Fórmula 1, Mick prepara-se para cumprir a sua segunda temporada na categoria rainha, continuando na Haas.

Do pai herdou um legado difícil de replicar - e um apelido que chegou a evitar nos tempos do karting, preferindo usar o nome da mãe e até o pseudónimo “Mick Junior”, numa tentativa de «passar despercebido».

Os Verstappen

Também o atual campeão do mundo de Fórmula 1, Max Verstappen, é filho de um antigo piloto. Falamos de Jos Verstappen, que se estreou na Fórmula 1 em 1994 e por lá andou (com algumas pausas) até 2003.

Sem se aproximar do sucesso do filho, Jos somou ainda assim dois pódios e, num detalhe curioso, chegou a ser colega de equipa de Michael Schumacher: correu ao seu lado na Benetton em 1994.

Os Rosberg

Entre as duplas de pais e filhos na Fórmula 1, Keke e Nico Rosberg foram a segunda - e última - a conquistar ambos o título de Campeões do Mundo de Fórmula 1. O pai, finlandês, participou em 114 provas de Fórmula 1 e sagrou-se campeão em 1982 ao volante de um Williams, tendo-se «reformado» em 1986.

O filho, alemão, esteve 10 anos na Fórmula 1, alinhou em 206 GP e garantiu o seu primeiro e único título de Fórmula 1 precisamente na época em que abandonou a competição, em 2016. Aos comandos de um Mercedes-AMG, superou Lewis Hamilton, seu colega de equipa.

Os Piquet

Nélson Piquet é um dos grandes nomes da Fórmula 1: soma três títulos (1981, 1983 e 1987), competiu em 204 grandes prémios e teve uma carreira na categoria rainha que decorreu entre 1978 e 1991.

Já o seu filho, Nélson Piquet Jr., apesar da fasquia elevada, nunca chegou perto de repetir o impacto do pai na disciplina máxima do automobilismo.

Com um pódio como melhor resultado, Piquet Jr. viu a sua passagem pela Fórmula 1 ficar limitada a 28 corridas (todas na Renault). Ficou também «famoso» pelo acidente no GP de Singapura de 2008, que «fez correr muita tinta» por ter aberto caminho à vitória do seu colega, Fernando Alonso.

Os Villeneuve

No caso dos Villeneuve, quase se pode dizer que o filho veio «terminar» o trabalho do pai.

Considerado um dos pilotos mais talentosos e irreverentes da sua geração, o canadiano Gilles Villeneuve somou seis vitórias e 13 posições de pole. Viria a perder a vida na sessão final de qualificação do GP da Bélgica de 1982, após embater na traseira de um monolugar que seguia muito mais devagar.

O filho, Jacques, competiu entre 1996 e 2006 e conquistou o título que «escapou» ao pai. Em 1997, ao volante de um Williams, protagonizou um duelo intenso com Schumacher, que acabaria desqualificado do campeonato depois de tentar abalroar Villeneuve na última prova. No total, disputou 163 GP, alcançando 11 vitórias e 23 pódios.

É também de Jacques Villeneuve uma das manobras de ultrapassagem mais marcantes da Fórmula 1, no GP de Portugal de 1996, quando passou Schumacher por fora na Parabólica antes da reta da meta:

Os Hill

Em 1996, Damon Hill tornou-se o primeiro filho a «imitar» o pai e a sagrar-se campeão do mundo de Fórmula 1. Com 115 provas disputadas, somou 22 vitórias e 42 pódios, tendo competido na Fórmula 1 entre 1992 e 1999.

Quanto ao pai, Graham Hill, correu na Fórmula 1 até aos 46 anos. Depois de se estrear em 1958, alinhou em 176 GP, venceu 14 e subiu ao pódio 36 vezes - números que lhe valeram os títulos de 1962 e 1968.

Ainda hoje é o único piloto a ter conquistado as 500 milhas de Indianapolis, as 24 Horas de Le Mans e o título de pilotos na Fórmula 1.

Os Brabham

Com 126 GP e 14 vitórias, Jack Brabham foi campeão de Fórmula 1 por três vezes (1959, 1960, 1966). O último desses títulos foi conseguido ao volante de um carro da sua própria equipa - um feito único na história.

Já o filho, David Brabham, teve um percurso curto na categoria de topo, limitado a 24 provas. A maior curiosidade é que correu na… Brabham.

Os Andretti

Campeão em 1978, Mario Andretti continua a ser o único piloto norte-americano a tornar-se campeão do mundo. A sua carreira na Fórmula 1 começou em 1968 e terminou em 1982, período em que representou equipas como a Ferrari e a Lotus.

O filho, Michael Andretti, teve uma passagem mais discreta pela Fórmula 1. No total, participou em apenas 13 provas, todas em 1993, aos comandos de um McLaren. No seu palmarés na Fórmula 1 figura um pódio.

Os Fittipaldi

Mais do que uma simples história de pais e filhos, os Fittipaldi representam um caso sério na Fórmula 1. Emerson Fittipaldi passou 10 anos na categoria, somou 14 vitórias e conquistou dois títulos (1972 e 1974), tornando-se o primeiro brasileiro Campeão do Mundo de Fórmula 1.

O seu irmão, Wilson Fittipaldi Jr., também competiu por lá e chegou mesmo a correr com a sua própria equipa, a Copersucar-Fittipaldi. Já Christian Fittipaldi, filho de Wilson e sobrinho de Emerson, alinhou em 40 provas de Fórmula 1 entre 1992 e 1994.

E a «dinastia» não terminou aí: Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, já se estreou na categoria e, até ao momento, disputou dois grandes prémios.

As outras famílias

Para lá das «duplas» de pais e filhos já referidas, há outras ligações familiares que também passaram pela Fórmula 1. São nomes menos conhecidos e com resultados pouco expressivos, mas que merecem registo.

Os britânicos Reg e Tim Parnell correram na categoria nos anos 50 do século passado: Reg conseguiu um pódio, enquanto o melhor resultado do filho não foi além de um 10.º lugar.

Da Bélgica chegam os Pilette, uma verdadeira dinastia de pilotos que vai do avô, no início do século XX, até ao neto, Theodore “Teddy” Pilette, que disputou apenas uma prova na Fórmula 1. O pai, André Pilette, alinhou em nove provas.

Também Markus Winkelhock, célebre por na sua única corrida na Fórmula 1 ter liderado aos comandos de um Spyker depois de arrancar de último, é filho de um piloto. O pai, Manfred, correu na Fórmula 1 entre 1980 e 1985, participou em 47 GP, mas nunca repetiu a «proeza» do filho.

O regressado Kevin Magnussen é igualmente filho de um ex-piloto de Fórmula 1, embora os seus resultados sejam mais animadores do que os do pai. Afinal, enquanto o filho já disputou 119 GP e somou um pódio, Jan Magnussen ficou-se pelas 24 provas.

Entre este conjunto de pais e filhos na Fórmula 1 há ainda uma ligação ao Japão. Na família Nakajima, o pai, Satoru, participou em 74 GP de Fórmula 1 e foi o primeiro japonês a pontuar na categoria. Já o filho, Kazuki, disputou 36 GP na Williams entre 2007 e 2009.

Por fim, Jolyon Palmer seguiu as pisadas do pai, Jonathan, e também chegou à Fórmula 1. Contudo, enquanto Jonathan alinhou em 83 provas, Jolyon participou em 35 GP.


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