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Acordo final sobre a norma Euro 7: o que muda e o que fica igual

Carro desportivo moderno verde metálico com faróis LED finos, rodas grandes e tabuleiro branco brilhante no salão.

Um ano depois do anúncio, chegou-se finalmente a um entendimento sobre o que vai mudar - e o que vai manter-se - na polémica norma Euro 7.

Este novo pacote de regras para regular as emissões dos veículos tem estado no centro do debate ao longo dos últimos 12 meses.

Vale a pena recordar que, após a apresentação da proposta inicial, vários construtores, alguns dos países onde estão instalados e a ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis) se posicionaram contra a norma, por considerarem que colocava um peso relevante sobre a indústria numa fase em que o sector já avança rapidamente para a eletrificação total.

Agora, depois de um ano de negociações descritas como «intensas», o Conselho e o Parlamento Europeu chegaram a um acordo, existindo já um texto final para a Euro 7.

O que é que vai (ou não) mudar

Tal como tinha sido indicado anteriormente, os limites de emissões de poluentes para veículos ligeiros previstos na Euro 6 vão continuar a aplicar-se. Entre os poluentes abrangidos estão os óxidos de azoto (NOx) e o monóxido de carbono (CO), considerados dos mais nocivos para a saúde humana. E importa sublinhar o ponto que costuma gerar confusão: o mais falado, o dióxido de carbono (CO2), não entra neste conjunto de limites.

Nos veículos pesados - autocarros e camiões -, as exigências vão apertar, com limites mais severos. A título de exemplo, as emissões de NOx passam a ficar limitadas a 200 mg/kWh em ensaios de laboratório e a 260 mg/kWh nos testes em estrada (RDE, Emissões em Condução Real).

Além disso, o texto agora acordado passa a restringir a emissão de partículas sólidas com diâmetro a partir de 10 nm (PN10), em vez de 23 nm (Euro 6), no caso dos automóveis de passageiros e dos comerciais ligeiros.

Não são só os motores a combustão que poluem

A grande novidade introduzida pela Euro 7 é que também serão limitadas as emissões de partículas que não vêm do escape, em particular as originadas por pneus e travões. Nos ligeiros de passageiros, passa a existir um limite próprio para as partículas emitidas pelos travões de 7 mg/km. Nos pesados, esse valor será de 11 mg/km.

Os veículos elétricos também ficam abrangidos por esta regra. Foi estabelecido um limite de 3 mg/km para as emissões de partículas dos travões nos veículos ligeiros elétricos, e de 5 mg/km no caso dos pesados elétricos.

Quanto aos pneus, as emissões de microplásticos vão igualmente ser reguladas, embora os limites concretos ainda não tenham sido definidos.

Elétricos também são afetados pela Euro 7

O impacto da Euro 7 nos elétricos não se resume às partículas libertadas pelos travões. Os veículos elétricos passam ainda a ter de cumprir um “requisito de ciclo de vida”.

A norma vai estabelecer limites para a degradação das baterias, tanto em veículos elétricos como em híbridos:

  • Ligeiros de passageiros - manter, pelo menos, 80% da sua capacidade original até cinco anos ou 100 000 km; e 72% até oito anos ou 160 000 km;
  • Ligeiros de mercadorias - manter, pelo menos, 75% da sua capacidade original até cinco anos ou 100 000 km; e 67% até oito anos ou 160 000 km.

Quando é que entra em vigor?

A intenção inicial era que a Euro 7 entrasse em vigor a partir de julho de 2025 para os novos veículos lançados, e que dois anos depois se aplicasse a todos os veículos novos colocados à venda. No entanto, com os atrasos na definição final da norma, a implementação será mais tardia.

Antes de mais, o regulamento ainda terá de ser aprovado formalmente pelo Conselho Europeu e pelo Parlamento Europeu - algo que só deverá acontecer em algum momento de 2024. Depois disso, será necessário aguardar cerca de dois anos para que as regras sejam efetivamente aplicadas. Na prática, isto significa que não acontecerá antes de 2026. Para os pesados, no mínimo, apenas em 2027.

Fonte: Conselho Europeu


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