Avistamento de tubarão-frade na Costa de Caparica
No dia 13 de maio, foi observado mais um tubarão-frade ao largo da praia da Fonte da Telha, na Costa de Caparica. O momento foi captado em vídeo e rapidamente se espalhou pelas redes sociais, embora, para o biólogo marinho Élio Vicente, não seja motivo de espanto. Segundo disse ao Expresso, estes tubarões-frade “navegam bastante mais nestas zonas do que as pessoas pensam”.
Alimentação e dimensões do tubarão-frade
Considerado a segunda maior espécie de tubarão do mundo, apenas atrás do tubarão-baleia, o tubarão-frade evita águas oceânicas mais quentes e aparece à superfície no nosso oceano sobretudo para se alimentar, explica Élio Vicente. O seu principal alimento é o plâncton.
Para o obter, nada com a boca aberta e vai filtrando a água, retendo apenas aquilo de que se alimenta. Num só dia, este peixe consegue fazer passar até 500 toneladas de água pela boca.
Élio Vicente sublinha ainda que se trata de um animal inofensivo para as pessoas. A única forma de causar ferimentos seria ao tentar escapar e tocar-nos com as escamas, que “são como uma lixa”. O biólogo lembra, contudo, que, podendo atingir 12 metros de comprimento, é um animal muito forte.
Ameaças e razões para o seu declínio
Na realidade, há mais motivos para o tubarão-frade recear os humanos do que o contrário. Esta é uma espécie ameaçada e em perigo de extinção “porque são vítimas secundárias de pesca”, isto é, acabam por ser capturados de forma acidental. Além disso, por se alimentarem à superfície, podem ser atingidos por embarcações.
A isto junta-se uma biologia lenta: amadurecem tarde e reproduzem-se pouco. Os tubarões-frade são ovovíparos; as fêmeas transportam os ovos durante 2/3 anos e dão à luz entre 4 a 6 tubarões de 4 em 4 anos. No conjunto, todos estes fatores colocam a sobrevivência do tubarão-frade em risco.
Texto de Xavier Clemente, editado por Rita Costa
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário