Saltar para o conteúdo

15 polícias detidos por suspeitas de tortura na Esquadra do Rato e Bairro Alto

Homem em fato claro organiza materiais numa mesa num espaço amplo com várias cabines de atendimento.

Não há oficiais entre os 15 polícias detidos por suspeitas de tortura na Esquadra do Rato e no Bairro Alto, apurou o Expresso junto de fontes próximas do processo. Treze dos arguidos são agentes e os restantes dois são chefes, o patamar hierárquico mais elevado entre os novos suspeitos.

No conjunto das três operações, já foram constituídos 24 arguidos da PSP. A maioria dos suspeitos pertencia, à data das agressões e da alegada tortura de civis, à Esquadra do Rato. Com o passar dos anos, vários foram transferidos para outras subunidades da Polícia.

Buscas em 16 esquadras e no aeroporto de Lisboa

A terceira diligência, realizada esta terça-feira por magistrados do DIAP de Lisboa com operacionais da própria PSP, incluiu buscas em 16 esquadras, precisamente porque muitos dos visados estavam entretanto colocados noutros postos policiais. De acordo com a RTP, uma das buscas decorreu no aeroporto de Lisboa.

Quem foi detido e o que está sob investigação

Entre os detidos, o único civil é um segurança de uma das discotecas onde se registaram episódios de violência envolvendo alguns dos agentes agora sob suspeita.

No âmbito do inquérito, está a ser investigada a eventual prática de vários crimes, incluindo tortura grave, violação, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificadas.

Interrogatórios no Campus da Justiça

Os 15 novos arguidos começam a ser ouvidos esta quinta-feira, no Campus da Justiça, perante um juiz de instrução, em primeiro interrogatório, para serem determinadas as medidas de coação.

As outras duas operações

As primeiras detenções ocorreram a 10 de julho de 2025, na sequência de uma investigação aberta após uma denúncia da própria PSP ao Ministério Público. O processo voltou a ter desenvolvimentos a 4 de março último, quando mais sete agentes foram detidos numa segunda operação conduzida pela PSP e pelo Ministério Público, no âmbito de um novo inquérito ligado a factos ocorridos na mesma esquadra.

Na acusação, o Ministério Público defende que os dois agentes selecionavam sobretudo vítimas em situação de particular vulnerabilidade, nomeadamente toxicodependentes, pessoas sem-abrigo, imigrantes sem documentos ou suspeitos de pequenos delitos.

Os procuradores relatam agressões físicas, atos de humilhação e episódios de extrema violência, alegadamente cometidos “por mero prazer na humilhação das vítimas”, tirando partido da fragilidade das pessoas detidas.

O Expresso revelou então que alguns dos sete agentes detidos estariam diretamente envolvidos em alegados atos de violência, enquanto outros teriam presenciado os factos sem intervir. Havia ainda suspeitas de polícias que filmaram e partilharam imagens em grupos de WhatsApp de polícias.

Segundo a acusação, existiriam pelo menos dois grupos, num total superior a 70 elementos. Num deles, com 69 participantes, teriam circulado vídeos e outros conteúdos relacionados com o caso. Noutro grupo, com sete agentes, terão sido partilhadas imagens de agressões e humilhações a detidos no interior das esquadras do Rato e do Bairro Alto.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário