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Como usar a novidade e a familiaridade para melhorar a memória nos exames

Pessoa a desenhar num caderno ao lado de um computador portátil com a palavra "aha" no ecrã.

Ao preparar-se para exames, é normal ter a sensação de que a quantidade de matéria é tanta que nunca vai caber toda na sua cabeça. Ainda assim, existem formas de criar as condições certas para tornar o estudo o mais eficiente possível.

A investigação que tenho desenvolvido sobre a ciência da memória indica que tanto a novidade - experiências novas - como a familiaridade influenciam aquilo que conseguimos recordar. A novidade pode servir para predispor o cérebro para a aprendizagem, e a familiaridade ajuda a organizar a memória e a manter o conhecimento.

Na prática, isto pode começar antes mesmo de abrir os apontamentos: por exemplo, fazer uma caminhada numa zona menos habitual do seu bairro ou observar uma obra de arte pela primeira vez - ao vivo ou online.

A novidade como preparação para aprender

Em contexto de laboratório, eu e os meus colegas verificámos que a probabilidade de memorizar informação nova tende a ser maior quando, pouco antes, a pessoa visitou um local que lhe era desconhecido.

Um exemplo com ambientes virtuais

Num cenário experimental típico, os participantes vinham ao laboratório para se familiarizarem com um ambiente virtual no computador ou através de óculos de realidade virtual. Esse ambiente era uma ilha de fantasia com detalhes inesperados, como bengalas de açúcar do tamanho de candeeiros de rua.

Pedimos aos participantes que regressassem em duas outras ocasiões. Nessas sessões, exploravam o mesmo ambiente virtual - agora já familiar - e um outro que ainda não tinham visto.

Depois de cada ronda de exploração virtual, os participantes viam uma lista de palavras para tentar memorizar. Em seguida, eram avaliados, mas apenas depois de uma tarefa “distratora” completamente diferente, que consistia em resolver problemas simples de matemática.

De forma curiosa, quem tinha explorado um ambiente novo, em regra, recordava mais palavras do que quem tinha explorado um ambiente familiar. Isto aponta para a ideia de que a novidade pode deixar o cérebro mais preparado para aprender.

Depois de estimular o cérebro com uma pequena incursão no desconhecido, chega a altura de tirar partido da familiaridade.

Porque o familiar é importante

Aprender informação totalmente nova costuma ser muito exigente. Por vezes, os estudantes dizem que leram várias páginas, mas que não conseguem lembrar-se de nada do que leram.

Isto pode acontecer por diversos motivos, mas um dos mais frequentes é simples: é difícil memorizar algo que é muito diferente de tudo o que já foi aprendido.

O cérebro tende a classificar e a rotular a informação, e a nossa memória está organizada em categorias semânticas. Por exemplo, se eu mencionar “cadeira giratória”, “computador” e “armário de arquivo”, é provável que lhe ocorra o termo mais abrangente “escritório”.

Associações deste tipo são decisivas quando precisamos de recuperar uma lembrança, porque a informação ligada pode funcionar como pista de memória. Na investigação sobre memória, por vezes chamamos a estes conjuntos de conceitos interligados “esquema de memória”.

Sempre que precisa de aprender algo novo, o cérebro tenta enquadrar essa novidade numa categoria. Se conseguir criar uma ligação com algo que já conhece, essa informação entra com mais facilidade num “esquema de memória” já existente.

Com base na investigação, seria de esperar que estudar para um teste resulte melhor quando já existe algum conhecimento prévio do tema: isso permite encaixar a informação nova no “esquema de memória” que já tem e facilita a recuperação desse conteúdo mais tarde.

Imagine, por exemplo, que prova um kiwi amarelo pela primeira vez. A experiência anterior com kiwis verdes permite-lhe identificar a fruta. E a novidade de provar um kiwi ligeiramente mais doce integra-se sem grande esforço no seu conhecimento já existente sobre kiwis - incluindo o aspeto, a textura e o sabor.

Criar ligações para fixar conceitos

No entanto, estudar para exames implica muitas vezes aprender conceitos abstratos. Para informação menos concreta, os “esquemas de memória” relevantes tendem a estar menos desenvolvidos, o que torna mais difícil reter conteúdos novos.

Numa unidade curricular de psicologia biológica que leciono, os estudantes têm de aprender como a informação é transmitida entre células do cérebro. Uma parte essencial do tema é a alteração da química do neurónio, desde o estado de repouso até ao momento em que “dispara”, incluindo os iões de potássio e de cloreto de sódio envolvidos.

Os resultados dos exames mostraram que estes processos eram difíceis de recordar. Num determinado ano, decidi introduzir um apoio visual simples para a memória: a imagem de uma banana com um recipiente de sal de mesa em cima.

Um truque visual: banana e sal

A maioria dos estudantes sabe que as bananas são ricas em potássio, enquanto o sal de mesa é cloreto de sódio. Esta imagem simples representa a situação de um neurónio em repouso: muito potássio no interior e muito cloreto de sódio no exterior da célula. Quando o neurónio “dispara”, abrem-se canais iónicos e, devido às leis da difusão, o potássio flui para fora e o cloreto de sódio entra na célula.

Depois de introduzir este apoio, o desempenho dos estudantes na pergunta de exame sobre este conteúdo aumentou de forma significativa. Aliás, no ano passado, a nossa ferramenta de monitorização de exames classificou-a como “demasiado fácil”, porque tantos estudantes responderam corretamente. A imagem facilitou a integração do conhecimento novo num “esquema de memória” já existente, ao ligar informação abstrata e recente a elementos bem conhecidos - a banana e o sal de mesa.

Assim, ao preparar-se para um exame, pode ser útil pensar de que forma a informação que está a tentar memorizar se relaciona com coisas que já sabe, mesmo que esse conhecimento não seja diretamente relevante para a avaliação. Saber que as bananas têm muito potássio, por exemplo, não é um objetivo de aprendizagem de uma disciplina de psicologia biológica.

E, se antes do estudo ainda conseguir dar uma volta por um lugar novo, melhor ainda. Espero que estas estratégias o ajudem a transformar matéria difícil de exame em memórias duradouras.

Judith Schomaker, Professora Auxiliar, Departamento de Saúde, Psicologia Médica e Neuropsicologia, Universidade de Leiden

Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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