“Talvez seja um detalhe para si…”
Ah, o amor. No início, tudo parece perfeito: o mais pequeno pormenor do outro deixa-nos encantados, rimo-nos de piadas que nem têm graça, quase nunca nos sentimos realmente cansados, falamos sobre tudo e sobre nada e, de repente, tudo é mágico. Só que, quando uma relação está prestes a nascer ou ainda mal começou, basta muito pouco para a virar do avesso. De um momento para o outro, sem aviso, o encanto pode desaparecer. Ninguém consegue antecipar. Nada consegue impedir. É o “ick”.
Nas redes sociais, há quem não hesite em contar os seus “icks”: aqueles detalhes, muitas vezes ridículos, que nos tiram os óculos cor-de-rosa e que podem pôr fim a uma história romântica. Explicamos-lhe tudo.
O que significa “ick”?
Como acontece com muitos termos, “ick” chegou-nos do inglês. É uma variação de “yuck”, uma palavra que significa simplesmente “que nojo” ou “beurk”. O “ick” descreve aquele instante em que um pormenor na pessoa de quem gostamos faz, de forma súbita, desaparecer toda a atração. Um verdadeiro corta-tesão. É como acordar dessa fase inicial, toda fofa e açucarada, em que tudo parece maravilhoso.
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Exemplos de “ick” e porque é tão pessoal
Na maioria das vezes, trata-se de algo bastante irracional. Pode ser o uso de um emoji um pouco pirosinho (como ^^), uma forma específica de rir, o hábito de comer a fazer barulho, ou até correr atrás do metro (para, no fim, o perder na mesma). Isto, claro, varia de pessoa para pessoa.
Na prática, aquilo que para alguém é um “ick” pode ser, para outra pessoa, um verdadeiro sinal verde. Ainda assim, há um ponto comum: quando o “ick” aparece, normalmente já é tarde. A atração vai-se e a pequena idília acaba. Pode parecer parvo - mas é real.
O “ick” no início da relação: detalhe ou fuga?
No arranque de uma relação amorosa, tendemos a reparar muito mais nos pormenores, quase como se estivéssemos a procurar o mínimo comportamento ou hábito que não encaixa connosco. Segundo alguns especialistas, o “ick” pode até funcionar como desculpa para fugir a uma ligação potencialmente séria, genuína e saudável.
A ideia é simples: agarra-mo-nos a qualquer coisa, por mais absurda que seja, para não avançarmos e para não termos de nos mostrar vulneráveis. Logan Ury, directora de ciência das relações na Hinge, concluiu que “as pessoas confundem muitas vezes antipatias ou pequenas manias com ‘motivos eliminatórios’, e isso pode travá-lo quando se trata de avançar numa relação”.
Numa entrevista, a actriz Millie Bobby Brown (Stranger Things) contou que, durante muito tempo, lhe custava lidar com homens que iam buscá-la ao aeroporto. Um “ick” que se repetia sempre… até encontrar a pessoa certa.
Redes sociais, séries e apps de encontros: o regresso do “ick”
No fundo, o “ick” não se explica assim tão bem. E, apesar do nome estar por todo o lado agora, o conceito está longe de ser novo: a Carrie e as amigas em Sex & the City já falavam disso há cerca de vinte anos, tal como a série Ally McBeal nos anos 1990.
Com o crescimento das redes sociais, o tema voltou a ganhar destaque. E as aplicações de encontros ajudam a alimentar esta lógica de “substituibilidade”, em que os utilizadores e as utilizadoras passam facilmente para outra pessoa ao mais pequeno “ick”.
@kittyexplainings O “ick” existe mesmo! #gatos #gatinhos #gatosparvos #ick #oick ♬ som original – kittyexplainings
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