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Sexagenário resgatado após 30 anos de trabalhos forçados; família detida pela PJ lucrou dezenas de milhares de euros

Homem idoso com mochila na mão ao centro, rodeado por três polícias fardados dentro de edifício rústico.

Um sexagenário foi retirado de uma situação de trabalhos forçados depois de três décadas a trabalhar de sol a sol. No fim de 30 anos de labuta, tinha conseguido guardar apenas 40 euros, porque a maior parte do dinheiro que ganhava ficou sempre controlada por uma família que se aproveitava das suas fragilidades psicológicas para o explorar em quintas de Espanha. O resgate ocorreu em março do ano passado, no âmbito de uma investigação que culminou agora com a detenção de cinco elementos de um clã suspeito de ter feito dezenas de vítimas e de ter arrecadado dezenas de milhares de euros ao longo de décadas.

Recrutamento e condições de vida em Aranda de Duero

A investigação arrancou em 2018, depois de uma denúncia anónima. As autoridades apuraram que uma família portuguesa, radicada em Espanha, captava sobretudo pessoas com problemas de toxicodependência, alcoolismo e fragilidades psicológicas, incidindo em particular sobre zonas rurais. A promessa era simples: bons salários para trabalho agrícola em Espanha.

Quando as vítimas chegavam, o cenário era outro. Eram alojadas em condições degradantes, em anexos da casa da família, em Aranda de Duero, na província de Burgos. A comida, em muitas ocasiões, resumia-se a restos.

Salários retidos, vigilância e coerção

Diariamente, os trabalhadores eram transportados para os campos, onde cumpriam jornadas longas, duras e sob vigilância de membros do grupo. Deviam auferir mais de mil euros por mês - valor que era efetivamente pago pelos proprietários das quintas -, mas que ficava na posse da família. Às vítimas, sujeitas a coação e ameaças, chegava pouco ou nada.

Apesar de estarem inscritos na Segurança Social espanhola, esse registo fazia parte de um esquema usado pelo clã para contornar fiscalizações nas explorações agrícolas. Além disso, permitia que os trabalhadores tivessem acesso a subsídio de desemprego - um apoio que, tal como o ordenado, revertia quase por completo para a família.

Operação da PJ e da Guarda Civil

Em março de 2025, uma operação conjunta da Guarda Civil e da Polícia Judiciária (PJ) retirou duas vítimas daquela situação: dois homens de 62 e 51 anos, naturais da região Centro, em Portugal.

Cinco detidos

O mais velho estava há 30 anos sob o controlo do grupo e, segundo a investigação, chegou mesmo a ter sido vendido entre familiares.

No momento em que foi levado pelas autoridades, pediu apenas para ir buscar os 40 euros que tinha escondido - todo o dinheiro que conseguiu juntar ao longo de três décadas de escravidão.

O homem de 51 anos era explorado há 15 anos e também não tinha quaisquer bens.

Na semana passada, foram detidos três suspeitos em Espanha e, ontem, outros dois em Portugal. O patriarca, a esposa, os dois filhos e o genro serão presentes a tribunal amanhã.

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Patriarca já fora preso
O líder da família já tinha cumprido uma pena de sete anos por tráfico de pessoas. Mesmo estando preso até setembro de 2020, continuava a ser ele a dirigir toda a operação.

Duas casas e contas
A operação da PJ e da Guarda Civil apreendeu duas casas e duas contas bancárias ao clã. A investigação ainda aguarda a divulgação dos saldos.

Branqueamento
Os arguidos adquiriam carros e abriam contas bancárias em nome das vítimas. Deste modo, simulavam que estas recebiam pelo trabalho realizado e conseguiam, ao mesmo tempo, branquear os rendimentos do crime.

Várias vítimas
O inquérito continua a tentar determinar quantas vítimas foram feitas pela rede, mas já está confirmado que são várias, ao longo de muitos anos.

Mil euros mensais
A família disponibilizava os seus "trabalhadores" a empresários agrícolas da zona de Burgos. Por cada par de braços angariado, recebiam mais de mil euros mensais.

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