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Pausas para caminhar de 5 minutos: o desafio da NPR Body Electric liderado por Keith Diaz na Columbia University

Grupo de jovens profissionais a caminhar num escritório moderno e iluminado.

A maioria dos adultos em países com elevados rendimentos passa grande parte do tempo acordado sentada. No total, esse período chega muitas vezes às 11 ou 12 horas - mais de três quartos do tempo em que estamos acordados.

Tanta imobilidade tem um preço. Períodos prolongados a estar sentado têm sido associados a doença crónica, pior saúde mental e maior risco de morte prematura.

Uma solução simples pode estar em pequenas caminhadas ao longo do dia. Uma equipa de investigadores liderada pelo Dr. Keith Diaz, da Columbia University, decidiu pôr esta hipótese à prova em condições do mundo real.

Milhares aderiram a um desafio de caminhadas

Para o fazer, a equipa juntou-se à National Public Radio (NPR) num podcast interactivo chamado Body Electric.

Os ouvintes foram convidados a experimentar pausas curtas para caminhar e, depois, indicar como se sentiam.

Inscreveram-se mais de 19,000 adultos, abrangendo uma grande variedade de idades, profissões e contextos de trabalho. Quase 60 percent acabou por concluir todo o programa.

Em cada pausa, cada pessoa caminhava cinco minutos a um ritmo confortável. Mantiveram este padrão durante 14 dias consecutivos, depois de uma semana a seguir a sua rotina habitual.

Com que frequência fazer pausas

Cada participante escolheu o seu próprio esquema, entre três possibilidades. Podia mexer-se a cada 30, 60 ou 120 minutos ao longo do dia.

A opção de uma vez por hora foi seleccionada por quase metade do grupo. Cerca de um terço optou pela pausa a cada meia hora e aproximadamente um quinto escolheu o intervalo de duas horas.

A maioria respondeu, ao fim do dia, a um breve inquérito por e-mail. Além disso, um subgrupo mais pequeno de 1,200 trabalhadores a tempo inteiro recebeu cinco pedidos de resposta por SMS por dia, para registar como as pausas eram vividas “no momento”.

Efeitos positivos das pausas para caminhar

A equipa avaliou três aspectos: se o hábito parecia exequível, se era agradável e se se adequava bem ao dia-a-dia. Cada item foi pontuado numa escala de cinco pontos, sendo que qualquer valor acima de três contava como um sinal positivo.

Os três esquemas ultrapassaram esse patamar. Intervalos mais longos foram considerados mais fáceis de gerir, mas todas as opções obtiveram bons resultados quanto a serem agradáveis e apropriadas.

Ao fim de duas semanas de pausas, tanto o cansaço como o humor em baixo diminuíram. Em simultâneo, o bom humor aumentou, e as mudanças foram suficientemente fortes para serem sentidas como reais - e não apenas como uma diferença “no papel”.

Para avaliar isto, a equipa recorreu a um indicador chamado diferença mínima importante. Este marcador reflecte a menor alteração que uma pessoa efectivamente percebe como útil.

Mais pausas, maiores ganhos

O padrão seguiu uma lógica clara de dose-resposta: quanto mais vezes as pessoas se levantavam para se mexer, mais melhoravam o humor e a energia.

Os esquemas de meia hora e de uma hora ultrapassaram o limiar de mudança significativa tanto para a fadiga como para o bom humor. Já para o humor em baixo, só o plano de meia hora ultrapassou esse limiar.

O grupo que respondeu por SMS permitiu observar os efeitos mais de perto. Logo após uma caminhada, as pessoas indicavam menos cansaço e um estado de espírito mais positivo do que em momentos em que não tinham feito uma pausa recente.

Esta recompensa imediata pode ser relevante para consolidar o hábito. As pessoas tendem a repetir o que lhes sabe bem, pelo que uma caminhada agradável pode reforçar-se ao longo do tempo.

O trabalho não piorou

Uma preocupação comum é a de que pausas frequentes possam reduzir a produtividade. Os resultados contrariaram essa ideia.

“Concerns that movement breaks might disrupt work productivity have been documented as a perceived barrier to implementation/adoption. However, our findings counter this perception,” referiram os investigadores.

Em qualquer dos esquemas, houve pequenas melhorias na forma como as pessoas se sentiam em termos de envolvimento e eficácia no trabalho. Esses ganhos não foram grandes, mas também não apontaram em sentido negativo.

A equipa explicou ainda que, embora nenhuma das doses de pausas de movimento testadas tenha provocado melhorias na percepção do desempenho no trabalho ou do envolvimento, todas produziram alterações pequenas, mas favoráveis.

As pausas de hora a hora foram o melhor compromisso

Cada plano teve o seu lado menos bom. O intervalo de duas horas foi o mais fácil de cumprir, mas foi o que menos beneficiou o humor; já o esquema de meia hora foi o mais eficaz, embora tenha sido o mais difícil de manter.

A alternativa intermédia destacou-se como a mais atractiva. Aproximou-se do plano mais “suave” em termos de conforto, mas ainda assim trouxe melhorias reais.

“The 60-minute arm offered the most favorable balance, yielding acceptability and appropriateness ratings comparable to the 120-minute arm, and exceeding MID thresholds for two of three psychosocial outcomes,” escreveram os autores.

“In addition, it was the most commonly selected dose, selected by nearly half of all participants.”

Limitações do estudo e investigação futura

O estudo teve limitações. Por exemplo, todas as medidas foram auto-reportadas, o que pode não coincidir exactamente com o que aconteceu na prática.

Ainda assim, a mensagem é encorajadora. Caminhar cinco minutos é barato, familiar e está ao alcance de quase toda a gente.

Secretárias elevatórias e soluções com passadeiras exigem dinheiro e espaço, e a evidência a favor de ficar apenas de pé é ambígua. Uma caminhada curta não exige nem uma coisa nem outra.

“This large-scale study demonstrates that movement breaks are implementable and effective, supporting their potential as a public health strategy and providing new insights into feasible and effective dosing for real-world implementation that can be integrated into existing guidelines and tested in future trials,” concluíram os investigadores.

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