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Fenprof critica o Ministério da Educação por caos nos exames nacionais e atrasos na correção digital

Mulher preocupada sentada numa sala de aula com papéis e computador portátil à sua frente.

Fenprof aponta falhas graves na organização dos exames nacionais

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) classificou hoje como "inaceitável" a forma como o Ministério da Educação se desresponsabiliza perante o que considera ser o "caos instalado" na preparação dos exames nacionais, após atrasos nas correções associados a vários problemas técnicos.

Em comunicado, a Fenprof disse continuar a receber relatos de professores classificadores que "revelam um cenário profundamente preocupante na organização dos exames nacionais" do ensino secundário, como "professores convocados por escolas onde já não exercem funções, docentes aposentados chamados à classificação, professores designados para disciplinas que nunca lecionaram".

O sindicato acrescentou que, além dessas situações, "A estas anomalias juntam-se atrasos no envio das provas digitalizadas, respostas incompletas, páginas em falta e um conjunto de problemas técnicos" que, segundo vários classificadores, se repetem de forma generalizada. Para a Fenprof, é especialmente preocupante existirem relatos de grupos de classificadores em que quase ninguém recebeu todas as provas em condições adequadas.

Ministério da Educação sob crítica e exigência de explicações

Na mesma nota, a Fenprof lembrou que, embora mantenha "a sua posição crítica relativamente aos exames nacionais enquanto instrumento de avaliação", defende que, "enquanto existirem, o Estado tem o dever de garantir que decorrem com absoluto rigor, transparência e equidade para todos os alunos, sem exceções".

Para a federação sindical, "O Governo não pode esconder-se atrás de organismos intermédios nem diluir responsabilidades. A desresponsabilização política do Ministério da Educação, Ciência e Inovação perante o que está a acontecer é inaceitável".

A Fenprof sustenta ainda que é necessário esclarecer "quem decidiu esta reorganização, quem garantiu que estavam reunidas as condições para a sua implementação e quem assume a responsabilidade pelos graves problemas" que, na sua perspetiva, "colocam em causa a confiança num processo decisivo para milhares de alunos".

Segundo a federação, "Quando uma reforma administrativa ameaça a credibilidade dos exames nacionais, já não estamos perante uma modernização do Estado. Estamos perante um falhanço político que exige explicações, responsabilização e correção imediata", reforçando que "a anunciada poupança de dezenas de milhões de euros" no processo "não representa uma reforma", mas "uma degradação do serviço público".

Atrasos nas credenciais e calendário do Júri Nacional de Exames

Entretanto, devido a atrasos na distribuição das credenciais de acesso, o Júri Nacional de Exames do ensino secundário optou por ajustar o calendário de correção, mas mantém 10 de julho como prazo final das classificações.

As provas de Português do 12.º ano deveriam ter começado a ser corrigidas na terça-feira, uma semana depois de os alunos realizarem o exame, mas as credenciais necessárias para esse trabalho ainda não tinham sido entregues a todos os professores corretores.

A situação foi denunciada na quarta-feira e, na quinta-feira, o Júri Nacional de Exames (JNE) confirmou "a existência de algumas dificuldades técnicas", que estariam a ser resolvidas.

Apesar de os exames nacionais continuarem a ser feitos em papel, este é o primeiro ano em que a correção passa a ser realizada em formato digital. No caso da prova de Português, o trabalho deveria ficar concluído até 06 de julho, para que as classificações fossem remetidas ao JNE até 10 de julho.

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