O Grupo Volkswagen estará a preparar aquela que poderá vir a ser a maior reestruturação de sempre. De acordo com uma proposta atribuída a Oliver Blume, diretor-executivo do grupo, e a Arno Antlitz, diretor-financeiro, o plano poderá incluir o corte de até 100 mil postos de trabalho e a interrupção da produção em quatro fábricas na Alemanha: Hannover (Volkswagen Comerciais), Zwickau (Volkswagen, CUPRA e Audi), Emden (Volkswagen) e Neckarsulm (Audi).
A notícia foi divulgada pela revista alemã Manager Magazin, embora, até ao momento, não exista qualquer confirmação oficial por parte da empresa.
Acordo em causa
Esta reestruturação dificilmente passará sem contestação, uma vez que coloca a administração em confronto direto com os sindicatos. Importa lembrar que, no final de 2024, tinha sido alcançado um entendimento entre as duas partes que contemplava mais de 35 mil despedimentos e uma redução da capacidade de produção, mas com uma condição clara: nenhuma unidade fabril seria encerrada por razões operacionais.
“Com este acordo, descartamos expressamente o encerramento de fábricas e demissões por motivos operacionais”, afirmou na altura Daniela Cavallo, líder do sindicato dos trabalhadores.
O plano agora avançado ultrapassa o que tinha sido acordado e volta a abrir uma disputa que parecia encerrada. Segundo a Bloomberg, dirigentes sindicais do Grupo Volkswagen comunicaram recentemente que não foram informados sobre estas novas intenções.
A capacidade dos sindicatos influencia fortemente o modelo de governação da Volkswagen, o que pode travar qualquer reestruturação mais profunda. Além disso, contam frequentemente com o suporte do estado alemão da Baixa Saxónia, que é um dos principais acionistas do Grupo.
A chamada «Lei Volkswagen» concede ainda ao estado um poder de veto sobre decisões estratégicas, tornando mais difícil aprovar medidas como o encerramento de fábricas ou reduções muito significativas do número de trabalhadores.
Números no vermelho
Em 2025, os lucros do grupo recuaram 44% em relação ao ano anterior, ficando nos 6,9 mil milhões de euros - o nível mais baixo desde o escândalo do Dieselgate, em 2016. A este cenário juntam-se a capacidade produtiva instalada a mais e os custos elevados associados ao desenvolvimento em paralelo de motores de combustão interna e de sistemas elétricos, bem como os investimentos em software.
Com esta reestruturação, a meta passa por atingir uma redução de custos de 11 mil milhões de euros até ao final da década. O Grupo pretende também diminuir o investimento em cerca de 15%, para pouco mais de 130 mil milhões de euros ao longo dos próximos cinco anos.
O que se segue?
Para já, a empresa não confirmou em detalhe os contornos do plano. “Todo o grupo, incluindo as suas marcas e subsidiárias, precisam de passar por mudanças profundas”, disse um porta-voz à Reuters, sem avançar medidas. “Os factos relevantes do caso serão discutidos e aprovados pelos órgãos competentes. Não nos iremos antecipar a esse processo”, concluiu.
Recorde-se que o conselho de supervisão da empresa deverá reunir-se já no próximo dia 9 de julho para discutir o plano.
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