Casos de sarampo em Beja e quase 500 contactos de risco
A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) detetou três casos de sarampo e identificou "quase 500 contactos de risco" no concelho de Beja, desde o início de abril.
Em declarações à agência Lusa, o médico da Autoridade de Saúde Local (ASL) da ULSBA, Bruno Pinto Rebelo, indicou que os três casos confirmados dizem respeito a adultos "entre os 30 e os 55 anos".
De acordo com o responsável, dois dos episódios ocorreram em pessoas não vacinadas e o terceiro num indivíduo com o esquema vacinal recomendado no Programa Nacional de Vacinação (PNV) da Direção-Geral de Saúde (DGS).
Segundo o médico, as situações registadas no concelho de Beja apresentam "ligação epidemiológica" entre si. "Entre os casos confirmados, desde o início de abril [e] até ao momento, identificámos quase 500 contactos de risco, tendo verificado o estado vacinal de todos e notificado, por via telefónica, quase todos, priorizando crianças e pessoas não vacinadas", detalhou.
Vacinação, controlo de contactos e definição de surto
Bruno Pinto Rebelo acrescentou que, entre os contactos sinalizados, "mais de 120 foram vacinados, de acordo com a norma da DGS, por só terem uma ou nenhuma dose da vacina no momento da exposição aos casos confirmados".
Na avaliação do profissional, o facto de se confirmar um caso em pessoa não vacinada "não é, necessariamente, causa para apreensão", pois "os estudos mais recentes indicam uma taxa de eficácia muito elevada de proteção contra o sarampo em pessoas com duas doses da vacina combinada".
"Sabemos que o aparecimento de casos de sarampo em pessoas vacinadas, de acordo com o esquema do PNV, é altamente improvável, mas possível."
Questionado sobre se a situação corresponde a um eventual surto de sarampo, Bruno Pinto Rebelo confirmou esse enquadramento, com base na sua definição de "surto": o aparecimento súbito e inesperado de casos de uma doença, numa área geográfica delimitada e num curto intervalo de tempo.
"O aparecimento destes casos considera-se, efetivamente, que estamos perante um surto."
Ainda assim, garantiu que estão a ser aplicadas "as normas e recomendações da DGS" com o objetivo de "prevenir o aparecimento de novos casos" e sublinhou não ser "prudente" antecipar, para já, a evolução da doença na região.
"Seria imprudente fazer qualquer projeção, até ao período de incubação do sarampo, que é relativamente longo e que pode ir de seis até 23 dias [desde a exposição ao vírus e o início de sintomas]", justificou.
21 casos em Portugal no ano passado
No passado dia 9 de fevereiro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças emitiu um relatório onde confirmou 7655 casos de sarampo, em 2025, em 30 países da União Europeia, incluindo 21 confirmados em Portugal.
De acordo com essa informação, cerca de metade dos casos em Portugal ocorreu em março de 2025, com a cobertura vacinal a situar-se nos 99% na primeira dose e nos 96% na segunda.
Na mesma altura, a DGS disse à Lusa que os casos confirmados em Lisboa e Vale do Tejo e na região Centro foram importados ou associados a casos importados e que cerca de metade se verificou em pessoas não vacinadas.
O que é o sarampo e como se transmite
O sarampo é uma infeção causada por um vírus, caracterizada por febre, tosse, conjuntivite, corrimento nasal e manchas vermelhas na pele. A transmissão acontece por contacto direto com gotículas infeciosas ou por dispersão no ar quando a pessoa infetada tosse ou espirra. Em regra, a doença é benigna, mas, nalgumas situações, pode ser grave ou mesmo causar a morte.
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