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Tempestade Kristin: 70% dos proprietários por identificar em Leiria e 62% na Marinha Grande

Mulher vestida de verde com capacete laranja segura mapa em floresta com árvores e galhos caídos.

No espaço rural de Leiria, 70% dos proprietários continuam sem identificação e, na Marinha Grande, esse valor é de 62%, uma realidade que aumenta a vulnerabilidade ao fogo.

Quatro meses depois da tempestade Kristin, persistem milhares de árvores derrubadas em parcelas privadas cujo proprietário se desconhece. Em Leiria, 70% dos donos ainda não estão identificados; na Marinha Grande, a percentagem chega a 62%. Caso, a 1 de junho, os titulares não iniciem a retirada da madeira - para proteger aglomerados populacionais e empresas do risco de incêndio -, caberá às autarquias intervir, imputando depois os custos aos proprietários.

Na Marinha Grande, os trabalhos municipais já estão concluídos. Em Leiria, a conclusão deverá acontecer até ao fim do mês. A Brisa indica o mesmo horizonte temporal para retirar o que falta junto da A1, A8 e A17, onde já foram removidas 50 mil árvores.

"Temos 30% do território rural do concelho de Leiria identificado e 70% que não sabemos de quem é, o que dificulta muito a gestão e a notificação dos proprietários para os limparem", assegura ao JN Luís Lopes, vereador da Proteção Civil. "Há mais de dez mil hectares com madeira caída no chão no concelho. É impossível conseguir retirá-la toda até ao final do ano, quanto mais até ao início do verão", afirma. "Nas sessões promovidas pela câmara, temos apelado aos proprietários que têm essa capacidade para removerem a madeira, para proteger a floresta que ainda está de pé, reduzindo o perigo de incêndio."

Até agora, a limpeza das árvores tombadas pelo vento já abrangeu mais de 400 quilómetros dos 550 existentes na rede viária florestal do concelho de Leiria, aos quais se juntaram mais 160 quilómetros de outros caminhos que foram identificados no terreno. "A intenção é, até ao fim de maio, a rede estar desobstruída, à exceção de alguns caminhos que sofreram danos por ação da água das chuvas, a seguir à tempestade", explica o vereador.

Sete dias por semana

Depois de as equipas da proteção civil, bombeiros, GNR, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e Forças Armadas concluírem a desobstrução dos caminhos, avançará a remoção de madeira na "floresta pura e dura". "Só estamos a cortar e a colocar as árvores no extremo dos terrenos, para os proprietários as poderem retirar", detalha Luís Lopes. Se procederem à retirada, os donos poderão beneficiar de um apoio por hectare, conforme o grau de prejuízo, entre 25% e 100%. Se não o fizerem, a autarquia encaminhará a madeira para parques e venderá o material em hasta pública.

Na Marinha Grande, desde março, foram desobstruídos 220 quilómetros da rede viária florestal, entre aglomerados urbanos e caminhos florestais inseridos em propriedades privadas, nas três freguesias do concelho. O plano inicial apontava para 115 quilómetros, mas o resultado ultrapassou essa meta graças ao esforço conjunto de várias entidades, que também estão a apoiar Leiria, sete dias por semana. No total, foram identificados 289 caminhos.

A remoção das árvores avançou igualmente com prioridade à criação de ligações entre caminhos, assegurando condições mínimas de circulação e segurança - essenciais para a entrada de meios de socorro e para a prevenção e combate a incêndios. Paulo Vicente, presidente da autarquia, refere que estão no terreno 23 homens do ICNF, vindos de diversos pontos do país e apoiados por máquinas, a limpar a zona entre o Pinhal de Leiria e os aglomerados urbanos, sendo as refeições garantidas pelo município.

Verão cria apreensão

"Agora, estamos mais protegidos, mas enquanto não passar o verão não estamos descansados, apesar de estarmos a fazer tudo para evitar incêndios", garante Paulo Vicente. "Os prazos são muito apertados, há dificuldade em contratar madeireiros, e ainda há muitos milhares de árvores caídas", lamenta. A intervenção incluiu as faixas ao longo da rede viária municipal e junto às zonas industriais da Marinha Grande e de Vieira de Leiria.

Na madrugada de 28 de janeiro, a Brisa deu início aos trabalhos de remoção de árvores e destroços nas áreas atingidas, recorrendo a seis empresas especializadas, sete dias por semana. "Foram removidas mais de 50 mil árvores, mantendo-se sempre as autoestradas abertas ao trânsito em condições de segurança", indica uma fonte da concessionária. "Na A17, a remoção de árvores está concluída. Na A1, permanecem situações pontuais de árvores isoladas, cuja remoção deverá estar concluída até ao fim de maio."

"Na A8, as limpezas das bermas estão concluídas, mantendo-se alguns trabalhos em taludes nos concelhos de Leiria e da Marinha Grande, até ao final da próxima semana", acrescenta a mesma fonte. "A remoção dos raizeiros ainda existentes na A1 e na A17, sem risco relevante para a propagação de incêndios, está prevista para junho", conclui.

Moratórias de crédito beneficiaram 5613 particulares

De acordo com estatísticas do Banco de Portugal, entre 28 de janeiro e 28 de abril, recorreram a moratórias de crédito 5613 particulares e 1243 empresas afetadas pela tempestade Kristin. Os empréstimos abrangidos somavam 1063,1 milhões de euros: 411,3 milhões contratados por particulares - sobretudo da Marinha Grande e de Leiria - e 651,8 milhões por empresas de Leiria, Marinha Grande, Coimbra, Pombal e Lisboa.

Estas moratórias permitiram, durante 90 dias, a suspensão do pagamento de capital e juros em 90 concelhos abrangidos pela situação de calamidade. No caso dos particulares, a medida aplicava-se ao crédito à habitação ou a lay-off.

Saber mais

Vegetação removida em breve
Fonte da Infraestruturas de Portugal refere que "foram registadas mais de 500 ocorrências de queda de árvores na Rede Rodoviária Nacional", tendo sido cortadas e removidas da via com o apoio da Proteção Civil. O que resta de vegetação nas zonas limítrofes, bem como o respetivo transporte, "será assegurada com muita brevidade".

Terrenos ameaçam autoestradas
Luís Lopes alerta que as concessionárias apenas atuarão até à rede que delimita as autoestradas. "As pessoas vão continuar a ver muitas árvores caídas lá próximo, que estão fora da faixa de gestão de combustível", sublinha. Se esses terrenos não forem alvo de limpeza e deflagrar um incêndio, a segurança de quem circula poderá ficar em causa.


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