Saltar para o conteúdo

Aveiro: rendas mais do que duplicaram desde 2019 e prestações aumentaram 195%, diz estudo da Century 21

Casal a discutir documento com gráfico num laptop junto a uma janela com vista para o rio e casas coloridas.

Acessibilidade à habitação em Aveiro: conclusões do estudo da Century 21

As rendas no concelho de Aveiro mais do que duplicaram desde 2019 e as prestações da casa aumentaram 195%.

Impacto no orçamento das famílias de Aveiro

Tendo por base o rendimento médio das famílias no concelho de Aveiro, a renda ou a prestação mensal considerada adequada para uma casa deveria situar-se nos 618 euros. Porém, no mercado de arrendamento, uma habitação com 90 m2 - normalmente um T2 - está, em média, a custar 1071 euros.

Na prática, isto significa que, para manter uma taxa de esforço tida como razoável (33%), as famílias aveirenses só conseguem arrendar cerca de 50 m2 (T0 ou T1). Estas conclusões constam do estudo "Acessibilidade à Habitação em Portugal", da Century 21, apresentado na terça-feira em Aveiro.

"No arrendamento, em Aveiro, estamos com taxa de esforço de 57%, para aceder a 90 m2. Na compra, a taxa está nos 39%. O estudo é sobre a compra ou arrendamento da primeira casa. Porque quem já tem casa tem uma vantagem maior", explicou ao JN Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, no final da apresentação dos dados.

Segundo o estudo, comprar uma casa de 90 m2, em Aveiro, custa, em média, 209 mil euros. Já o rendimento mensal disponível por família é de 1873 euros - o que representa um aumento de 253 euros face a 2022. Ainda assim, há quatro anos, adquirir 90 m2 no concelho custava, em média, menos 73.890 euros. No arrendamento, em 2022, as famílias desembolsavam menos 351 euros por mês.

Evolução desde 2019 no concelho de Aveiro

Os valores tornam-se ainda mais marcantes se recuarmos a 2019, ano em que, sublinhou Ricardo Sousa, Aveiro já se encontrava "no limiar prudencial". Desde então, a renda de uma casa com 90 m2 mais do que duplicou (119%) e a prestação de compra aumentou 195%.

Alterar PDM

O estudo aponta que "a resposta já não cabe só no concelho" e que "quando uma zona com oferta habitacional fica ligada em 20 ou 30 minutos aos centros de estudo e trabalho, passa a fazer parte da solução". Nesse sentido, é apresentada como proposta a criação de "corredores rápidos entre Ílhavo e Gafanhas, Universidade de Aveiro, estação de comboios e centro da cidade".

Além disso, o documento defende "shuttles universitários e empresariais nas horas de ponta, habitação nova junto a interfaces de transporte e polos de emprego" e também o incentivo ao uso da "bicicleta e micromobilidade entre estação, campus [universitário] e bairros residenciais".

Rui Santos, vice-presidente da câmara, assegurou que a autarquia está disponível para novas respostas e "recetiva a avaliar novas formas de projetos" para construção de habitação. Para o responsável, é indispensável "alterar, imediatamente, o Plano Diretor Municipal" (PDM). "Nas zonas onde há oportunidades, porque os preços são mais baixos, como Eixo, Eirol ou Nossa Senhora de Fátima, surgem imensas limitações".

O autarca acrescentou ainda que "temos de perder o estigma da altura", numa referência à limitação da construção de edifícios a um máximo de seis pisos na cidade.

Saber mais

Top 5
Aveiro está no "top 5" das capitais de distrito no que toca ao esforço de arrendamento para 90 m2. Lisboa lidera (78%), seguida de Faro (73%), Porto (71%) e Setúbal (61%).

Proprietários
Mais de 70% dos portugueses são proprietários da própria casa e, de acordo com Ricardo Sousa, "dois em três têm a habitação paga".

Custo
734 euros é o valor médio, em Aveiro, da prestação mensal ao banco para comprar 90 m2 (mais 251 do que em 2022).

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário