Dois meses após o início do conflito no Irão, a operação Epic Fury já custou 25 mil milhões de dólares aos Estados Unidos. Num país onde as desigualdades saltam à vista, esta fatura está a ser cada vez pior aceite.
Passados dois meses desde o começo dos ataques norte-americano-israelitas contra o Irão, o conflito continua sem desfecho. E o impacto económico para os norte-americanos não se resume ao encerramento do estreito de Ormuz ou à subida em flecha do preço do petróleo. Agora, é o custo directo da guerra que começa a pesar de forma significativa nas contas públicas.
A operação Epic Fury já custou 25 mil milhões de dólares aos Estados Unidos. Pode parecer um valor limitado face ao orçamento federal, mas está a levantar questões sérias junto de milhões de pessoas que se opõem à guerra. "A esmagadora maioria dos americanos está enojada com esta guerra, que nos custa uma soma astronómica", sintetiza um especialista ouvido pela BFMTV. Para agravar, este número é provavelmente inferior ao real, uma vez que o Secretário da Defesa tende a desvalorizar a fatura efectiva.
As munições estão a escassear, o moral das tropas no ponto mais baixo
O quadro torna-se ainda mais inquietante porque a guerra reduziu de forma considerável as reservas de munições dos Estados Unidos. De acordo com um relatório do Center for Strategic and International Studies (CSIS), quatro dos sete tipos de mísseis considerados essenciais já consumiram mais de 50% dos stocks existentes antes do conflito. Repor estes arsenais exigirá entre um e quatro anos - e isto mesmo com o orçamento de Defesa recorde de 1 500 mil milhões de dólares que Trump pretende para 2027.
Este enfraquecimento estrutural preocupa, numa altura em que a China poderá, um dia, lançar uma ofensiva contra Taiwan. E, entretanto, a bordo dos navios de guerra norte-americanos destacados na região, há militares a queixarem-se da qualidade da alimentação - um pormenor que diz muito sobre o nível de desgaste do pessoal.
Tudo isto para quê? Porque, como recorda a BFMTV, mesmo no cenário mais favorável, os Estados Unidos conseguirão, no máximo, um acordo com o Irão menos vantajoso do que o tratado nuclear de 2015, que Trump rasgou unilateralmente durante o seu primeiro mandato.
A nossa análise
Este balanço pode ter um peso importante à medida que se aproximam as eleições intercalares. Num país onde a inflação continua elevada e onde muitas famílias têm dificuldade em chegar ao fim do mês, as despesas militares no Irão são vistas como desnecessárias. Isso pode reacender um sentimento profundo de desconfiança, inclusivamente dentro da base eleitoral de Donald Trump. Durante a campanha, o Presidente tinha prometido não iniciar nenhuma guerra.
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