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Como os recetores PXY e ER no câmbio controlam a formação de madeira

Jovem cientista analisa secção transversal de tronco de árvore num laboratório luminoso com plantas.

A madeira sustenta casas e é uma das maiores reservas de carbono entre os seres vivos em terra. E tudo começa numa faixa muito fina de células vivas, situada logo por baixo da casca.

Durante muito tempo, os cientistas acharam que tinham uma ideia bastante sólida de como essa faixa se autorregula. Um novo estudo liderado por uma equipa em Inglaterra sugere, porém, que faltava uma peça importante nesse modelo.

Células por baixo da casca

Essa faixa chama-se câmbio: uma “manga” de células estaminais que envolve o caule e se renova continuamente à medida que a planta cresce.

Do lado interior, o câmbio deposita xilema - o próprio tecido lenhoso. Já a face exterior constrói os canais que distribuem os açúcares pela planta.

Trabalhos anteriores descreviam esta camada como uma zona genuína de células estaminais, coordenada por um pequeno conjunto de células organizadoras. O destino de cada célula - continuar a dividir-se ou endurecer e transformar-se em madeira - depende dos sinais que lhe chegam.

O Dr. Peter Etchell, biólogo vegetal na Durham University, no nordeste de Inglaterra, tem investigado há anos como o câmbio decide quando produzir madeira. Ainda assim, persistia uma dúvida antiga que a equipa não conseguia fechar.

Uma parceria surpreendente

As células das plantas interpretam o que as rodeia através de proteínas recetoras: sensores na membrana externa que se ligam a moléculas específicas que passam nas proximidades.

Segundo a explicação mais comum, cada recetor reconhece o seu próprio sinal e transmite a mensagem para o interior da célula - e acreditava-se que funcionavam de forma isolada.

Dois recetores, em particular, chamaram a atenção da equipa. Um deles, conhecido como PXY, ajuda a manter as células do câmbio em divisão. O outro, ER, aparecia repetidamente nas zonas onde se estava a formar madeira.

Um levantamento alargado de recetores vegetais já tinha deixado a suspeita de que PXY e ER poderiam contactar entre si, pelo que o grupo decidiu testar essa hipótese diretamente.

O que observaram foi que ambos se encaixam, formando uma única unidade na superfície celular - e, até este estudo, ninguém tinha demonstrado que estas famílias de recetores se juntavam desta forma.

“Plantas são real masters of detecting and responding to signals,” disse Etchells.

Capturar proteínas em conjunto

Demonstrar que duas proteínas se tocam no interior de uma célula viva exige alguma engenhosidade.

Para isso, os investigadores marcaram PXY e ER com sinalizadores que só brilham quando as proteínas ficam suficientemente próximas para quase se roçarem. Nas células, os sinais acenderam em simultâneo.

Num segundo ensaio, retiraram uma das proteínas da “sopa” celular para ver o que vinha agarrado a ela. Ao “pescarem” PXY, ER apareceu também, firmemente associado.

O mesmo aconteceu com um quase-gémeo de ER chamado ERL2 - mas um terceiro recetor muito parecido ficou de fora. Essa seletividade apontava para uma interação real, e não para um acidente químico.

O que estes testes não esclareceram foi de que modo esta união altera os sinais que cada recetor envia para o interior da célula. Essa parte continua por responder.

Quando o sinal entra em sobrecarga

Saber que as duas proteínas se tocam é um passo; provar que a parceria orienta a formação de madeira exigiu uma experiência adicional.

O PXY funciona com uma molécula de sinalização chamada TDIF. Assim, a equipa modificou arabidópsia (Arabidopsis thaliana), uma pequena planta de laboratório, para inundar a zona de formação de madeira com TDIF extra.

O excesso de sinal desorganizou o câmbio. As células começaram a dividir-se em todas as direções.

As fileiras que normalmente se alinham de forma regular ficaram curtas e tortas, e quase não surgiu madeira devidamente formada.

Depois, os investigadores removeram o ER nessas mesmas plantas. A confusão diminuiu.

O câmbio voltou a formar um anel nítido e as fileiras celulares alinhadas passaram a ter mais do dobro do comprimento - algo que, segundo os autores, é compatível com a ideia de que as duas proteínas atuam em conjunto, e não como unidades independentes.

Madeira nos sítios errados

Esta parceria não se limita a acelerar a divisão celular. Também impede que as células do câmbio se convertam em madeira demasiado cedo.

Estas células têm de se manter “plásticas”; se endurecerem antes do tempo, esgota-se a reserva de células estaminais.

Quando a equipa desativou simultaneamente ambas as famílias de recetores, esse travão deixou de funcionar.

Vasos rígidos e ocos - do tipo que normalmente transporta água através de madeira madura - surgiram dispersos em áreas onde o câmbio ainda deveria estar a dividir-se.

Em conjunto, os resultados obrigam a rever a forma como a madeira é produzida. O ER estava associado ao câmbio há anos, mas não se sabia ao certo o que fazia ali.

O estudo defende que a resposta é esta: o ER atua através do PXY - os dois fechados num único complexo que impulsiona a divisão celular e mantém a madeira no sítio certo.

Porque é que a descoberta importa

A madeira é um dos grandes feitos do planeta em armazenamento de carbono, retendo mais do que quase qualquer outro ser vivo em terra, segundo uma estimativa citada. Além disso, continua a ser a matéria-prima por trás da madeira para construção e do papel.

Tudo o que determina quanta madeira uma planta produz tem implicações para lá do laboratório.

Se os investigadores conseguirem perceber como este complexo de recetores orienta o crescimento, poderão vir a ajustá-lo - incentivando as plantas a depositar mais madeira, com efeitos indiretos como culturas mais robustas e maior captura de carbono.

A equipa já está a investigar de que forma os dois recetores remodelam os sinais internos um do outro e se esta mesma associação também aparece em árvores.

“So we already knew that signalling in plants was complex, but it has been fantastic to uncover another layer of complexity,” disse Etchells.

Se dois recetores conseguem formar pares aqui, parcerias semelhantes poderão estar a comandar o crescimento noutras partes da planta, à espera de serem descobertas.

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